País de doutores e engenheiros?

Margarida Vaqueiro Lopes

15 Fevereiro 2017 | 09h30

Quem acompanha de perto Portugal ou passou algum tempo no país, poderá já ter ouvido algumas pessoas dizendo que todo o mundo tem um curso superior.  Ou que Portugal é um “país de doutores e engenheiros”. A ideia começou a se generalizar desde que os níveis de gente analfabeta caíram consistentemente, a partir do início dos anos 2000. No final dos anos 1960, Portugal era um dos países da Europa com maior taxa de analfabetismo. Hoje em dia, são menos de 10% aqueles que no país não sabem ler nem escrever.

Mas apesar desses números terem melhorado, a gente ainda está super longe de ser um país onde TODO o mundo tem ensino superior, como muitas vezes as pessoas dizem. Foi o caso da chanceler Angela Merkel, que em 2014 afirmou que Portugal tinha ‘licenciados a mais’, se referindo a todas as pessoas com ensino superior que não conseguiam arrumar um emprego.

Então, super vale a pena olhar para os números de licenciados para ver se isso é realmente verdade: em 1998, há apenas 20 anos, 6,1% da população portuguesa tinha cursado o ensino superior. Nessa altura, 19% dos portugueses ainda era analfabeta. Em 2006, há cerca de 10 anos, a percentagem de cidadãos portugueses com ensino superior era de 10% – portanto, mais ou menos um milhão de pessoas num país de pouco mais de 10 milhões. Ano passado, em 2016, essa percentagem tinha subido para os 17,8%. Isso significa que em dez anos, sequer estão duplicando as pessoas que cursam o ensino superior. Menos de um quinto dos portugueses tem uma licenciatura: 1,5 milhões cidadãos. 20% finalizou o colegial e 7,9% continuam sem saber ler ou escrever. Isso mesmo: quase 700 mil pessoas são analfabetas em Portugal…


É um saco quando a realidade estraga um bom mito, não é?

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