Pão por Deus: o halloween português

Margarida Vaqueiro Lopes

01 Novembro 2016 | 10h17

 

A cesta teve que ser cheia duas vezes para atentar à procura da criançada.

Apesar de o Halloween ser uma tradição americana que já está em todo o mundo, em Portugal ainda há lugares em que subsiste a tradição portuguesa [e galega] do Pão por Deus. Antigamente,  nesse dia, os pobres recebiam pão cozido por parte das pessoas com mais posses, dando origem a essa expressão.

Ela foi evoluindo com o passar do tempo e quando eu era criança o pão por Deus já era o ritual de nos juntarmos com os amigos e com uma sacola de pano ir de porta em porta pedir que nos dessem guloseimas variadas: pirulitos, balas, marshmallows, frutos secos como nozes e amendoins e nas casas mais abastadas até uma moeda ou outra poderia saltar para dentro da nossa sacola.


Atualmente, ela ainda é assim, mas já são poucos os lugares em que as crianças sabem o que é o Pão por Deus – muitos lisboetas, por exemplo, nunca participaram desse ritual, porque na cidade as pessoas nunca tiveram esse hábito. Talvez porque os pais se sentiam menos seguros ou porque, inevitavelmente as pessoas se conhecessem menos. Mas na pequena cidade onde eu cresci essa é uma tradição que felizmente ainda se mantém. Aliás, escrevo-vos esse texto olhando para um cesto vazio de guloseimas: durante toda a manhã vários grupos de crianças tocaram na nossa porta com suas sacolas, gritando ‘Pão por Deus’. E eu me senti de alguma forma super feliz por nem em todo o lugar estarmos totalmente americanizados e ‘celebrarmos’ um Halloween que não diz nada sobre quem nós somos e que nem sabemos porque vivemos.

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