Porto gourmet

Porto gourmet

Margarida Vaqueiro Lopes

13 Outubro 2017 | 12h12

Aí, a gente chega e senta na mesa que nos guardaram. Já tem lá a cadeirinha da bebê e as águas. Eu aviso o meu marido de que “sempre vim aqui por convite, e adorei. Não sei se será igual para o comum consumidor”. Esse, aliás, é um problema comum para jornalistas: sempre nos tratam bem quando nos convidam para conhecer um projeto, mas aí a gente volta como público normal e nem sempre a experiência é tão incrível… Por isso sempre gosto de voltar aos lugares antes de escrever sobre eles – porque não me pagam para fazer publicidade, né?


Então, vamos lá. A gente chegou, sentou e a mesa estava incrivelmente bonita, com as águas. Escolhemos tranquilamente os pratos, aceitamos a sugestão do garçon – ainda que eu já fosse bastante certa do que queria comer – e trocámos a escolha do vinho porque ele nos aconselhou. Como aperitivo, foi-nos oferecido um cálice de vinho do Porto branco, bem gelado e agradável. A bebê comeu (meia) sopa para criança super gourmet, mas do que ela gosta mesmo é de comer tudo o que está na mesa. Daí que mandou a sopa para trás e decidiu provar de tudo: as lulas fritas que estavam divinais – no ponto, nem moles nem duras, com o polme leve, estaladiço e saboroso; as iscas do cachaço de bacalhau – uma espécie de bolinho de bacalhau mas muuuito melhor, porque não tem batata; a sarda fumada com escabeche de cebola e Porto, que era super fresca e saborosa e o pica-pau de vitela, que é basicamente bife partido aos pedaços com um tempero especial. A gente ainda pediu, de sobremesa, o maravilhoso bolo de chocolate sem farinha (um clássico do chef Miguel Castro e Silva, responsável pelo restaurante – pouco doce, muito cremoso e acima de tudo, super leve. Tudo isso foi acompanhado de vinhos brancos da Quinta do Ventozelo, Douro. E no meio da refeição o garçom ainda veio com um desafio: por que não provar o novo Syrah (tinto, monocasta) da mesma Quinta do Ventozelo, que estagiou em barricas de madeira? A sugestão foi que a gente provasse o vinho no início e no final da refeição, para vermos como ele reagia bem ao oxigênio. E devo dizer que ficámos bem apaixonados!, porque realmente a evolução é maravilhosa. Eu não adoro vinhos tintos no verão, mas esse me surpreendeu.

Moral da história: o de Castro Gaia, embora não surpreendesse pela qualidade, uma vez que por várias vezes tive oportunidade de lá comer, me surpreendeu por não tratar de forma diferente convidados e clientes. Se todos os lugares aprendessem com casas como essa, garanto que a gente repetiria restaurantes com muito mais regularidade. E sim, leva minha recomendação máxima. Se por acaso estiverem no Porto, não deixem de experimentar. Ele fica bem no Cais de Gaia, que é a cidade em frente (ou seja, você pode almoçar com vista para o Porto), e depois fazer um passeio pela margem do rio Douro. Experimente subir no terraço no final da refeição, e tomar lá o seu café. A vista é maravilhosa e tem sempre uma vibe bem cosmopolita rolando.

Continue Sambando no Facebook e no Instagram do blogue.

Mais conteúdo sobre:

De CastroMiguel Castro e SilvaPorto