Portugal com um pé na França

Margarida Vaqueiro Lopes

17 Junho 2016 | 18h33

Sei que estamos em época de Eurocopa, e que por essa razão Portugal não tem um mas dezenas de pés na França, mas não é sobre isso que vos escrevo hoje – no entanto, estão todos convidados a torcer pela seleção portuguesa no jogo desse Sábado, contra a Áustria. Obrigada!

Adiante: Portugal parece estar iniciando uma nova relação amorosa com o país liderado por François Hollande. No dia 10 de Junho – dia de Camões, de Portugal e das comunidades portuguesas -, o Presidente da República decidiu inovar. Marcelo Rebelo de Sousa celebrou o feriado nacional em Lisboa, com uma manhã passada no Terreiro do Paço, onde o Hino Nacional se fez ouvir e algumas homenagens a militares foram prestadas; mas à tarde, o Presidente rumou a Paris para celebrar com as comunidades portuguesas o dia de Portugal.

E claro, aproveitou para condecorar alguns portugueses, nomeadamente aqueles que ajudaram as vítimas do terrível ataque ao Bataclan, em Novembro passado. O presidente português surpreendeu todo o mundo com o seu discurso em francês, o sorriso afável que sempre lhe foi característico, bem antes de chegar ao Palácio de Belém, e o tom descontraído com que gosta de falar. Marcelo ainda protagonizou alguns momentos legais com o primeiro-ministro português, António Costa, nomeadamente quando os dois tiraram uma selfie super sorridente na Câmara de Paris. A foto foi entretanto publicada pelo primeiro-ministro português na sua conta do Twitter.

 


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António Costa aproveitou a passagem pela capital francesa para fazer declarações que provocaram polêmica: o responsável afirmou que os professores de português que não arranjam emprego em Portugal deviam olhar para a França – um dos países onde a comunidade portuguesa se destaca pelo tamanho. “É muito importante para a difusão da nossa língua. É também uma oportunidade de trabalho para muitos professores de português que, por via das alterações demográficas, não têm trabalho em Portugal e podem encontrar trabalho aqui”, disse o responsável durante as declarações à imprensa.

E por que é que houve polêmica? Porque quando, em 2011, o então primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho sugeriu que os professoes desempregados emigrassem, toda a esquerda nacional se levantou numa onda de protesto. Cinco anos depois, o líder do governo de esquerda sugere o mesmo e todo o mundo assobia para o lado, como se não fossem contra há apenas 5 anos.

Mas parece que o amor a Paris não quer realmente esmorecer. Depois da visita oficial de três dias, António Costa vai voltar para lá esse final de semana, porque nesse Sábado, 18, vai inaugurar o primeiro Espaço do Cidadão fora de Portugal: um lugar onde será possível tratar de serviços públicos online, desde aposentação, carteira de motorista, documentos de identificação e por aí vai.

Depois, parece que António Costa vai ver o jogo da Eurocopa entre Portugal e a Áustria. Gente, se isso não é amor pelo país da Torre Eiffel, não sabemos bem o que será…

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