Portugal cria a cola que pode salvar vidas

Margarida Vaqueiro Lopes

01 Outubro 2015 | 09h08

A Maria Pereira é uma menina de 30 anos, portuguesa, que desde 2013 vive em Paris. Não seria uma história diferente das de tantos outros portugueses que nos últimos anos abandonaram Portugal por conta da crise ou da busca por oportunidades melhores, não fosse a Maria Pereira (tem nome mais português que esse?) ter feito uma descoberta que pode realmente mudar o mundo. Formada em Bioengenharia, a Maria inventou uma cola que promete revolucionar a forma como se fazem cirurgias no mundo.

Basicamente, a cientista criou uma espécie de adesivo que repara tecidos e que só é aplicada nos lugares em que o cirurgião aponta uma luz, de forma a reduzir a possibilidade de erro. Essa cola desenvolvida pela portuguesa permitirá, por exemplo, que cirurgias do miocárdio que tornem menos invasivas e menos perigosas.

E como ela é feita de um material expansível – para além de não ser tóxico, naturalmente – ela consegue aguentar os batimentos cardíacos sem rasgar. E ainda tem mais: essa cola é também biodegradável, o que significa que vai naturalmente desaparecendo do local e vai sendo absorvida pelo organismo do paciente em que foi utilizada.

A invenção dessa portuguesinha já lhe valeu presença na lista dos ’30 under 30′ da revista Forbes – que basicamente aponta as 30 pessoas com menos de 30 anos que têm se destacado no mundo – e essa semana ela aparece também em destaque na revista Time.


Maria Pereira tem deixado uma marca tão forte, que quando em 2009 o Boston Children’s Hospital falou com o orientador da cientista, com o objetivo de arranjarem formas de minimizar o sofrimento – e as mortes – das centenas de crianças americanas que nascem com problemas congênitos do coração, Jeff Karp diz que lembrou imediatamente de Maria. Atualmente, a cientista trabalha em Paris, na star-up Gecko Biomedical, que nos últimos anos conseguiu arrecadar 11 milhões de euros para investigação em cola cirúrgica e adesivos de feridas.

Se essa cientista não nos fizer ganhar um pouco de fé naquilo que Portugal e os portugueses conseguem fazer…bom!, não sei quem conseguirá.