Chicas Poderosas conquistam Portugal

Margarida Vaqueiro Lopes

30 Setembro 2016 | 09h44

O movimento é bem conhecido de vocês: nasceu precisamente na América Latina, pelas mãos de uma portuguesa, a Mariana Santos. Há uns anos, a Mariana estava no The Guardian, e se apercebeu de que era uma das pouquíssimas mulheres trabalhando num mundo essencialmente masculino: o da comunicação, do jornalismo. Quando foi viver para a Argentina, deu conta de que na América Latina essa desproporcionalidade era ainda maior. E aí criou o movimento Chicas Poderosas que basicamente pretende empoderar as mulheres em profissões tradicionalmente vistas como masculinas; ajudar a combater a desigualdade de gênero; trabalhar para um mundo mais justo; formar mulheres em áreas como o jornalismo de dados, só para dar alguns exemplos.

Curiosamente, nunca tinha havido um evento dessa Organização Sem Fins Lucrativos em Portugal – apesar de já ter passado por Miami, São Paulo ou Stanford. Até agora: na próxima semana, de dia 5 a dia 8 de Outubro, a Chicas Poderosas levam a Cascais – bem do lado de Lisboa – um encontro com nomes bastante relevantes para ajudarem a pensar a importância do empoderamento feminino: para abrir, a diretora da Online News Association (ONA), Jane McDonnell. Depois Luisa Sousa, da BBC News, Millán Berzosa do Google Labs em Madrid e mais um monte de mulheres que têm feito um caminho muito impressionante na luta pela igualdade de gênero, tanto em Portugal como em outros lugares do mundo.

Esse não é um evento feminista ou sobre feminismo. É um evento, sobretudo, sobre igualdade de direitos. Sabia que em Portugal as mulheres ainda recebem menos 16% de salário que os homens, para executarem a mesma tarefa e tendo o mesmo grau de formação? E que continuam sem conseguir chegar a cargos de topo em grandes empresas? Pois é. Pode parecer um assunto velho, mas a verdade é que as diferenças ainda são bem reais. E por isso, precisam de ser faladas e discutidas. Se tudo der certo, o evento vai ser transmitido em Live Streaming para que, mesmo estando em São Paulo, você possa acompanhar a iniciativa e assistir às palestras – pode acompanhar tudo na página do Facebook da organização aqui no país.

Vale a pena dar uma olhada. Afinal, essa é realmente a discussão que voou desse lado do Atlântico para esse!


 

 

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