Portugal violento e se divorciando

Margarida Vaqueiro Lopes

11 Maio 2018 | 13h14

Os números mais recentes, de 2016, mostram que por cada 100 casamentos houve 69 divórcios em Portugal.

As evidências estão aí e não surpreendem: os portugueses estão se casando menos – 33 mil casamentos em 2017, contra 65 em 1997 – e estão se divorciando mais. Em 2016 houve 69 divórcios por cada casamento, quando em 1996 esse número era de apenas 20 (números da PORDATA). Durante muitos anos a gente foi justificando o aumento desse números com o fato de não ser possível pedir o divórcio antes do 25 de Abril de 1974 (quando passámos, finalmente, para um regime democrático). No entanto, já passaram mais de 40 anos, e a verdade é que nos últimos 20 os números continuam subindo. Por que razão andam os portugueses se divorciando tanto, sobretudo se também casam menos?

Que todo o mundo está menos tolerante a gente já sabe; também já sabemos que a vida é complicada e que é bem mais fácil, às vezes, deixar as pessoas ir do que insistir numa relação que não tem muito de legal. Mas o que será que está mudando tanto que faz com que apenas 31% dos casamentos não acabem?…Estamos viajando mais? Trabalhando mais? Sendo mais egoístas? Vivendo mais? Fugindo mais?

No meu grupo de amigos ainda não contamos muitos divórcios – um ou dois entre os 10 ou 15 casamentos que já celebrámos – mas na geração da minha irmã, 10 anos mais velha, por exemplo, eles se multiplicaram. E tem gente mais nova do que nós que já se separou depois de um ano de casamento.


A esses números – que não me preocupam, mas me intrigam – se juntaram uns outros, que esses sim, me deixam apreensiva: em Portugal, a violência no namoro é vista como sendo algo normal por 68,5% dos jovens. Um estudo da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) revelou, no início desse ano, que 56% dos jovens admitiram já ter sofrido atos de intimação.

Daí que me pareça realmente importante perguntar se Portugal não está atravessando um problema sério no que às relações diz respeito. Devemos pensar sobre isso, ou devemos deixar a sociedade seguir o seu curso – para além de, naturalmente, atuar sempre que haja indícios de crime, como na violência…? É que numa sociedade desenvolvida, Portugal é o país da Europa com maior taxa de divórcios (na Suécia são 47 divórcios por cada 100 divórcios, na Suíça 41 e na Alemanha 40) e com esses números sobre a violência no namoro, absolutamente assustadores.