Resturante que é integração de refugiados

Resturante que é integração de refugiados

Margarida Vaqueiro Lopes

27 Fevereiro 2018 | 07h21

Nos úlitmos anos, Portugal tem sido também um dos países da Europa onde vigora um programa de acolhimento de refugiados do Oriente Médio, que fogem de anos de guerras sem fim. Depois de todos os perigos que atravessam nas travessias tantas vezes ilegais e em condições inumanas para conseguir chegar no ’Velho Continente’, o maior problema dessas pessoas é a sua integração. Sem saberem a língua, sem que haja trabalhos que possam fazer sem estarem ainda integrados, como é que isso se trata? Como se faz a integração, dando formação mas não esquecendo de que essas pessoas precisam de trabalhar para se sustentar – e para que não percam a dignidade, umas das poucas coisas que lhes resta depois de terem perdido tudo.

as porções são para partilhar.

Lisboa implementou um programa que nasceu da idéia de quatro pessoas – e com muitos apoios, contatos e vontade conseguiu o apoio da prefeitura – para integrar refugiados, dando a conhecer parte da sua cultura ao país. A Associação Pão a Pão começou por organizar uns brunches esporádicos com comida típica da Síria, do Iraque ou da Eritreia e preparados por pessoas vindas de um desses países. Mas entretanto o projeto cresceu. Uma das famílias, vinda da Síria, gostaria de ter um restaurante – que funciona também como um regresso à normalidade, a uma vida digna que lhes dá sustento. A Assoicação ajudou, e depois de um crowd funding e de muita solidariedade, o Mezze abriu as portas num dos bairros do centro de Lisboa,


Antes disso, o grupo de pessoas responsável pelo espaço fez formação na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, e um dos chefs responsáveis pelo projeto fez um estágio no restaurante do famoso chef José Avillez – que tem duas estrelas Michelin.

melhor.sobremesa.dos.últimos.tempos.

Neste espaço, o Mezze, você pode escolher entre cinco menus que incluem vários pratos tradicionais do Oriente Médio – são praticamente todos para partilhar – e eu prometo que não vai se desiludir. O projeto que no início vivia de curiosos, hoje vive de apaixonados pelo conceito e pela comida. Você vai ser recebido com um sorriso -e um português nem sempre perfeito – e com o olhar de quem realmente aprecia sua visita. A comida é maravilhosa e os preços são muito justos.

Atualmente, o restaurante já garante uns 10 postos de trabalho, e poderá vir a crescer, se fizer sentido. Por mim, que ela cresça muito e que permita que essas pessoas, tão sofridas de uma guerra que não parece ter fim, possam finalmente recuperar alguma alegria, alguma paz e acima de tudo, a vontade de viver. Viver com letra maiúscula.

Sopa de lentilhas e uma espécie de kibe delicioso!

Se vier a Lisboa, não deixe de passar no Mezze. Fica bem no Mercado de Arroios (perto da estação de metrô de Arroios ou da Alameda – a caminhada é agradável, até lá). É uma forma de ajudar provando uma cultura super diferente, e sem defraudar as expetativas de uma experiência bem portuguesa. Afinal, Portugal também é isso: acolhimento e integração. Ou pelo menos, assim esperamos.

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