TAP: Dez dias de greve, 70 milhões de prejuízo

Margarida Vaqueiro Lopes

30 Abril 2015 | 07h32

Amanhã começa um período ligeiramente infernal para quem decidiu marcar viagens com a TAP – a companhia aérea do Estado.

Os pilotos decidiram avançar com dez – DEZ – dias de greve para se manifestarem conta a privatização da empresa e contra o que dizem ser um incumprimento de um acordo por parte do Estado.

O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) lembra que em 1999 foi assinado um acordo que garantia aos pilotos uma participação de até 20% no capital da TAP caso a empresa fosse privatizada. No entanto, o Executivo de Passos Coelho garante que o acordo não tem validade e pediu um parecer à Procuradoria Geral da República. Os pilotos também estão se manifestando contra a não reposição das chamadas diuturnidades, uma espécie de renda por antiguidade na empresa, que estão congeladas há quatro anos, desde que o país foi resgatado pela troika.

O tribunal decidiu entretanto que serviços mínimos a companhia terá que cumprir (pode consultar a lista aqui. Tem dois voos diários de e para o Brasil garantidos), mas ainda assim a estimativa é de que sejam afetados uns três mil voos durante esse tempo. A empresa fala em prejuízos na ordem dos 70 milhões de euros (algo como 230 milhões de reais), para além de todos os custos reputacionais. Essa é a segunda greve dos pilotos da TAP em pouco mais de cinco meses. A última foi entre o Natal e o Ano Novo, e durou quatro dias.


A diferença é que dessa vez, muitos dos funcionários da TAP não concordam com a paralisação. O Governo está batendo o pé e já sinalizou que não vai ceder aos pilotos, tendo avisado ontem que, depois da greve, só há dois caminhos: ou a TAP fecha ou 30% a 40% dos trabalhadores serão demitidos. A empresa acumula dívida e tem acumulado também prejuízo nos últimos anos.

Há quem acredite que essas greves têm como objetivo ganhar tempo para que cheguem as eleições, mude o Governo, e o próximo desista de privatizar a companhia. O clima de agitação que essas decisões do sindicato tem provocado já levou mesmo uma candidata à compra da TAP a desistir. Os interessados têm até dia 15 de Maio para entregar propostas vinculativas pela companhia aérea.

Se tem férias ou algum voo marcados entre 1 e 10 de Maio, o melhor é verificar se realmente conseguirá levar avante os seus planos. Por cá, a gente vai pedindo desculpa pelo incômodo.

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