Taxis fazem publicidade à Uber

Margarida Vaqueiro Lopes

10 Outubro 2016 | 14h51

Resumo para início de conversa: três taxistas detidos, um homem ferido porque se atirou de um viaduto, gás pimenta e balas de borracha. Ah, e viaturas da Uber atacadas com pedras. E ainda nem são 19h em Portugal.

A escolha fica facilitada de cada vez que um protesto de taxistas contra a Uber acontece em Portugal: a violência, as frases desordenadas, a falta de argumento e de educação é tanta que rapidamente a gente pensa que não tem como não escolher a Uber quando precisamos ir do ponto A para o ponto B.

Essa segunda-feira, 10 de Outubro, os taxistas de Lisboa marcaram novo protesto contra a Uber: iam se concentrar às 7h da manhã numa ponta da cidade, e seguiriam em marcha lenta até à Assembleia da República, incomodando todo o mundo numa altura em que a capital portuguesa tem obras em todo o lugar, para ajudar ao trânsito. Mas nem tudo foi assim.

Eles realmente se encontraram, mas decidiram cingir os protestos à área do aeroporto, em vez de tentarem atravessar toda a cidade. O que isso significa? Bom, que para além de não haver táxis em serviço, praticamente, é uma verdadeira aventura tentar entrar e sair do aeroporto.


Em causa está a legislação portuguesa que permitiu à Uber operar em Portugal, e com a qual os taxistas não concordam por acreditarem que estão sendo prejudicados. O ministro do Ambiente reuniu com representantes do setor dos táxis, mas nada foi decidido, uma vez que houve “divergências profundas” entre taxistas e o Executivo de António Costa.

E ao longo do dia o cenário só piorou: taxistas atacaram um carro da Uber com pedras, já houve confrontos físicos entre manifestantes, a polícia já precisou usar gás pimenta e bala de borracha. Um homem se atirou mesmo de um viaduto na zona dos protestos, embora ninguém saiba ainda porquê. Enquanto isso, as pessoas tentam chegar, a pé, ao aeroporto para seguirem com as suas vidas, e a polícia tenta desesperadamente pôr fim à confusão que entretanto se instalou junto de algumas das principais artérias da cidade.

Na sociedade civil, as opiniões não tardaram e curiosamente hoje Portugal fala praticamente a uma só voz: obrigada, taxistas por tornarem nossa escolha de optar pela Uber mais fácil.

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