Trabalhar até mais tarde ou cortar nas pensões?

Margarida Vaqueiro Lopes

17 Abril 2015 | 12h57

Como estamos em ano de eleições, a política está totalmente ao rubro em Portugal. Eleições para premiê, eleições para Presidente da República: esse ano é uma festa. O problema são as propostas, que parecem botar todo o mundo em desacordo, o tempo inteiro.

Essa semana o Governo continua lutando para fazer aprovar uma reforma no sistema de pensões públicas, visto que a oposição não aceita a proposta que está em cima da mesa: um corte de 600 milhões na despesa com as pensões. O Partido Socialista (PS), maior partido da oposição, é absolutamente contra, dizendo que é um “um regresso ao aprofundamento da austeridade”.

Importa lembrar que a troika saiu de Portugal vai fazer um ano já no próximo mês. Ainda assim, Portugal está enfrentando um grave problema de sustentabilidade do sistema, e algo precisa ser feito por qualquer partido que assuma a liderança depois do verão.

Muitos defendem que é preciso mais bebês – já estão em debate medidas para aumentar a natalidade, como já falei aqui – mas há quem defenda que a solução é ainda mais simples: todo o mundo tem que trabalhar até mais tarde. Isso porque o sistema está pensado para uma época em que a esperança média de vida era muito mais baixa.


Atualmente, uma pessoa que se aposenta aos 66 anos pode viver, fácil, até aos 90 anos. Ou seja, a pessoa passou 40 anos trabalhando e passa mais de 20 vivendo da aposentadoria, o que não estava previsto no sistema. Sendo que hoje em dia, uma pessoa com 70 anos está bastante melhor de saúde do que há uns vinte anos.

Então, como dizia um economista português há uns tempos, uma das nossas maiores vitórias, que é o aumento da esperança média de vida, está se tornando num dos mais graves problemas econômicos do país.

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