Um gato com vista para o Tejo

Margarida Vaqueiro Lopes

23 Agosto 2016 | 10h00

Tendo em conta que a gente tem o Rio Tejo – que é assim uma versão muito boa do Tietê – e que na margem do rio a gente tem um monte de restaurante e barzinho que chama para um chope no final do dia ou para uma refeição tranquila, o difícil é surpreender com algo diferente.

Essa semana, uma grande amiga estaria por umas horas em Lisboa e queria almoçar. Ela já conhece quase todos os restaurante junto do rio, mas a verdade é que em Agosto, pico do verão europeu, a gente sempre prefere poder ficar olhando a água. Aí, lembrei de um lugar onde não ia há muito tempo e que fica meio longe dos lugares óbvios. O nome é Le Chat (o gato, em francês) e fica bem do lado do Museu Nacional de Arte Antiga, em Santos, um bairro super tradicional de Lisboa. Como fica numa encosta, o rio fica lá em baixo, mas a gente consegue pegar a brisa fresquinha das águas e ainda ver a ponte e claro, a margem sul do Tejo.

O restaurante, apesar de já existir há muito tempo, mantém a simplicidade e a qualidade – sem ter preços absurdos, como muitos lugares, atualmente. Antes de mais: reserve mesa. Apesar de não ser concorrido sempre, o espaço não é muito grande, e por isso mais vale garantir. Se estiver por Lisboa no tempo quente vale pedir uma mesa na rua, onde a vista é mais legal. No entanto, como o espaço exterior não é enorme e é mais baixo que o espaço interior, também não tem problema se preferir não arriscar e ficar no ar condicionado.

A carta é simples e curta mas resolve: tem saladas, tem carnes e peixes e tem os chamados ‘cacos’, ou seja, alimentos que são servidos em sanduíches com ‘bolo do caco’, um pão de trigo baixinho, típico da ilha da Madeira, cuja massa fermenta durante três dias o que lhe dá um sabor ligeiramente diferente do pão tradicional. Tem sanduíche de lombo de atum (uma delícia), de filé (que a gente chama lombo), de hamburguer ou então de salmão fumado. A carta de vinhos (servem a copo) é bastante generosa e a limonada com menta é realmente boa, por exemplo.


O serviço pode ser um pouco lento, mas o espaço é tão agradável que na verdade a gente nem dá conta. E no final, o melhor é que a conta nem é nada que não se possa pagar. O preço médio da refeição, com vinho e sobremesa (eu experimentei o crumble de maçã e estava bom. Pena ser servido quente quando estão 30 graus na rua, ehehe) não chega a 20 euros por pessoa.

Crumble de maçã [© 2016 Sambando em Lisboa. All Rights Reserved]

A minha sugestão é que, depois do almoço, aproveite para se resguardar do sol e para visitar o Museu Nacional de Arte Antiga, na porta do lado. É lá que estão os famosos painéis de São Vicente, uma obra do século XV que durante vários anos esteve na Sé de Lisboa, por exemplo. Para além da coleção permanente, há também exposições temporárias incríveis que muitas vezes vale a pena conferir.

Depois da visita, me diga se valeu ou não a pena 😉

Onde?

Le Chat e Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA)

Rua das Janelas Verdes

Quanto?

Le Chat: 15 euros (preço médio por pessoa)

MNAA: 6 euros (visita à coleção permanente)

Contatos: 

Le Chat: +351 213 963 668

MNAA: +351 213 912 800