De uma surra no leste europeu à quase extradição do Nepal

De uma surra no leste europeu à quase extradição do Nepal

Daniel Ribeiro

08 Setembro 2016 | 16h08

O que você faria se já tivesse sido preso em Liverpool, linchado na República Tcheca e operado o crânio na Rússia? Invadir o Everest parece uma opção para você? Para o Johannes Wiegerinck pareceu.

Johannes Wiegerinck no Nepal. Foto: Reprodução/ Facebook.

Johannes Wiegerinck no Nepal. Foto: Reprodução/ Facebook.


Não dá para dizer que ele é apenas um turista frequente, ou que que é um aventureiro. Eu diria que ele é ousado e inconsequente, ele se define como um idiota.

Em uma viagem com o irmão pela Europa, Johannes se envolveu tentou interromper o espancamento do namorado de uma amiga que tinha feito no hostel e acabou sendo linchado pelos seguranças da balada onde estava. O resultado? Durante a surra, o dente dele cortou um nervo e a situação desfavorável causou uma infecção que precisou ser drenada em uma cirurgia de emergência em um hospital de Moscou, na Rússia, onde apenas dois dos médicos conseguiam se comunicar com ele em inglês.

Johannes Wiegerinck no festival Holi, no Nepal. Foto: Reprodução/ Facebook.

Johannes Wiegerinck no festival Holi, no Nepal. Foto: Reprodução/ Facebook.

Estava tudo bem. Mas no começo deste ano. “ Eu surtei da minha vida aqui, da repetição, de trabalhar constantemente contra meus valores pessoais, da rotina e tudo mais. Planejei e comprei uma passagem só de ida pro Nepal. Só de ida pelo que isso significava. O Nepal porque era estranho o bastante pra ser interessante, distante o bastante pra eu me sentir isolado e barato o bastante pra eu conseguir fazer rolar. Lá eu comecei meu projeto de viagem, Wanderfool – filmando com a câmera do celular e aprendendo a editar só depois que cheguei lá. Eu acabei voltando por uma série de fatores – eu estava para ser extraditado e não consegui tirar o visto pra cruzar pra Índia a tempo”, conta.

A invasão do Everest significa que ele ficou lá por muito mais tempo que o permitido por seu visto.  “Quando fui pro Everest, era pra ser uma trilha de 15 dias, mas me apaixonei pelos vilarejos das montanhas e acabei ficando 3 meses. Quando voltei, descobri que tinha uma multa enorme pra pagar por não ter tirado o visto estendido antes. Isso que quebrou minhas pernas. Acabei adiantando o retorno”.

Johannes Wiegerinck já na expedição ao Everest, no Nepal. Foto: Reprodução/ Facebook.

Johannes Wiegerinck já na expedição ao Everest, no Nepal. Foto: Reprodução/ Facebook.

“Não há nada no mundo que eu recomendaria mais do que viajar sozinho, pra lugares bizarros, por longos períodos de tempo” Johannes Wiegerinck

Johannes não se arrepende.  “Eu vi uma luz no fim do túnel. Eu vinha de uma crise de depressão niilista e existencialista que já estava durando quase 4 anos entre altos e baixos. Viver sem propósito e sem ver valor em nada. Cínico. Sem nada bom pra falar pras pessoas. Viver assim foi minha última tentativa de achar algum sentido. E eu achei. Eu me sinto muito vivo quando estou viajando, conhecendo novas culturas, passando novos perrengues e explorando o mundo. Fiquei feliz de verdade pela primeira vez em muito tempo. Me deu um senso de propósito”, declara.

Johannes Wiegerinck no Everest, Nepal. Foto: Reprodução/ Facebook.

Johannes Wiegerinck no Everest, Nepal. Foto: Reprodução/ Facebook.

Se bate saudades? “Sabe do que sinto falta mesmo? Açaí. A comida do Brasil permanece imbatível em todos os lugares que já visitei. Ah – a esbórnia também. Tem dias de mosteiro nos quais eu só queria um carnaval”.

Johannes Wiegerinck no Everest, Nepal. Foto: Reprodução/ Facebook.

Johannes Wiegerinck no Everest, Nepal. Foto: Reprodução/ Facebook.

Neste momento, Johannes está no Brasil. Segundo ele, enchendo os cofres e preparando uma nova aventura, quiçá pelo submundo do Caribe. “A ver se pego uma jungle fever ou acabo virando um pirata. Uma dessas coisas”, finaliza.

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