Férias frustradas – a subida ao Everest

Férias frustradas – a subida ao Everest

Daniel Ribeiro

15 Junho 2016 | 16h00

Cid Ferrari chegou a cumprir algumas etapas da subida ao Everest antes de ser obrigado a voltar para casa. Foto: Divulgação/ Arquivo pessoal.

Cid Ferrari chegou a cumprir algumas etapas da subida ao Everest antes de ser obrigado a voltar para casa. Foto: Divulgação/ Arquivo pessoal.


Qual a sensação de escalar uma montanha? Para o engenheiro Cid Ferrari, o cume é como se fosse a formatura. “Chegar no topo é um momento indescritível, mas ele só é emocionante assim porque teve todo o processo para chegar ali. É como uma festa de formatura, é uma comemoração de algo que levou tempo para ser conquistado”, conta.

Nepal. Foto: Divulgação/ Arquivo pessoal.

Nepal. Foto: Divulgação/ Arquivo pessoal.

Há poucas semanas, o montanhista foi obrigado a desistir de completar o seu principal objetivo: o Monte Everest, no Himalaia, entre o Nepal e o Tibete. A montanha mais alta do mundo venceu Cid. Uma lesão no pé por conta das baixas temperaturas vai deixa-lo de molho por um bom tempo. “Tenho chances e esperanças de recuperação, mas meu pé nunca mais será o mesmo”. Os médicos dos esportistas explicaram que os pés são irrigados por três principais artérias e as três de um dos pés dele estão comprometidas. O tratamento pretende melhorar a circulação nas veias para que supram o papel das artérias.

Cid Ferrari no acampamento com outros alpinistas. Foto: Divulgação/ Arquivo pessoal.

Cid Ferrari no acampamento com outros alpinistas. Foto: Divulgação/ Arquivo pessoal.

A frustração depois de ter conquistado os montes Kilimanjaro (Tanzânia), Elbrus (Rússia), McKinley (Alasca), Vinson (Antártica), Aconcágua (Argentina), Cartensz (Indonésia), Kosciuszko (Austrália), pequeno Alpamayo e Huayna Potosi Potossi (Bolívia), Cotopaxi (Equador), Valhuna (Peru), Lascar e Licancabur (estes dois na fronteira entre o Chile e a Bolívia) é evidente. “Foi a terceira tentativa de subir o Everest. Tinha cumprido algumas etapas em 2011 e 2014 e achava que esse ano conseguiria”, diz Ferrari. O cume seria o sétimo desafio do seu “Projeto Sete Cumes”, que divide o globo em sete regiões e elege a montanha mais alta e desafiadora de cada uma delas.

Apesar de não ter conseguido, Ferrari diz que é importante respeitar os limites do corpo. Apesar de bem preparado, o alpinista conta que as condições são as mais adversas possíveis e é esse o maior desafio. “Quando você chega na montanha, você já deixou para trás todas as condições básicas de qualidade de vida. É frio, a comida é enlatada, o banheiro é um buraco compartilhado. A cabeça é 70% do processo”.

Cid Ferrari na subida ao Everest. Foto: Divulgação/ Arquivo pessoal.

Cid Ferrari na subida ao Everest. Foto: Divulgação/ Arquivo pessoal.

Para ele, a viagem não foi perdida. O aprendizado, a convivência com pessoas de várias partes do mundo e fazer algo que poucas pessoas já fizeram são elementos que empolgam o viajante. Ferrari lembra que sem um seguro de viagem, ele poderia ter tido dificuldades ainda mais graves. “É preciso ser responsável mesmo quando corremos algum risco. E riscos corremos em qualquer lugar, mesmo tomando um café em Paris”.

Cid Ferrari ainda no início da subida com temperaturas razoáveis. Foto: Divulgação/ Arquivo pessoal.

Cid Ferrari ainda no início da subida com temperaturas razoáveis. Foto: Divulgação/ Arquivo pessoal.

Viajar, para ele, é a melhor coisa da vida. E ao voltar depois de uma exposição voluntária a certas dificuldades, o sabor e o valor das coisas é multiplicado. “Até hoje quando eu tomo água ou vou a um banheiro com pia e uma privada de louça, me sinto feliz e agradecido”. Apesar das possíveis sequelas que terá, Ferrari continua pensando em aproveitar as viagens para praticar algum esporte. Mesmo que seja uma trilha dessa vez.

Cid Ferrari e outros alpinistas. Foto: Divulgação/ Arquivo pessoal.

Cid Ferrari e outros alpinistas. Foto: Divulgação/ Arquivo pessoal.

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