Fui em uma viagem só para solteiros

Fui em uma viagem só para solteiros

Daniel Ribeiro

21 Julho 2016 | 13h37

Todos a bordo do balão em Piracicaba.

Todos a bordo do balão em Piracicaba.

Sempre olhei com desconfiança para esses roteiros muito segmentados e sempre achei que essas agências só para solteiros fossem uma agência de relacionamentos que vende viagens. Quebrei esse preconceito logo de cara. Fui* em um roteiro de fim de semana e quando encontrei o grupo, fui obrigado a repensar todos os meus conceitos. Éramos catorze pessoas de idades muito variadas, a mais jovem, uma estudante de farmácia de 20 anos e a mais velha passava um pouco dos 50.  A maioria eram mulheres e nem todos eram solteiros, uma designer acompanhada da mãe tinha namorado e a mãe era casada.

Amanhecer em Piracicaba a 150 metros de altura.

Amanhecer em Piracicaba a 150 metros de altura.

Já no ônibus, a guia, Renata Guedes, que é também dona da agência -e casada-, deu as boas-vindas e pediu para todo mundo se apresentar. Muitos já eram passageiros frequentes de seus tours. Perguntei a uma habituée porque escolhia viajar com o grupo. “Gosto de estar com mais gente no mesmo clima que eu. Ninguém aqui está de casalzinho e não tem crianças. Numa agência tradicional, certamente me sentiria um peixe fora d’água”, explicou.


A ideia é muito abraçada por pessoas que não curtem viajar sozinhas e muitas vezes não encontram amigos com a mesma disponibilidade de tempo ou com os mesmos interesses. A ideia é fazer amigos. A garota de 20 anos esperava encontrar um grupo de tiozinhos desanimados. Ledo engano, ela foi dormir às 22h num sábado em que todos se divertiram até a madrugada.

Nosso balão podia levar até 12 pessoas e tinha 40 metros de altura aproximadamente.

Nosso balão podia levar até 12 pessoas e tinha 40 metros de altura aproximadamente.

Nosso roteiro durou um fim de semana. Saímos na sexta-feira à noite rumo a Piracicaba, onde fizemos um passeio de balão no sábado e, no domingo de manhã, seguimos para Boituva, onde parte do grupo saltou de paraquedas. Durante o dia, no sábado, almoçamos em um restaurante, fomos a uma feira de artesanato da cidade e depois para um bar com música ao vivo. Lá parte do grupo ficou até o anoitecer e outra foi descansar no hotel para a programação da noite que era um jantar e baladinha opcional.

Uma das nossas pousa em Boituva depois do salto.

Uma das nossas pousa em Boituva depois do salto.

Uma fala de uma das mulheres me chamou atenção. “Uma viagem boa para mim começa com um bom hotel”, ela disse. Outras pessoas elogiaram a escolha dos restaurantes e dos programas. Entendi que a maioria de quem procura esses roteiros não gosta de correr riscos ou tem pouco tempo para isso.  Essas pessoas preferem que alguém organize a viagem, pesquise o roteiro, os restaurantes, reserve o hotel. Apesar de todos terem a liberdade de fazer atividades sem o grupo, as pessoas ficaram sempre juntas e dentro da programação.

Turistas observam os saltos de paraquedas no Centro Nacional de Paraquedismo, em Boituva.

Turistas observam os saltos de paraquedas no Centro Nacional de Paraquedismo, em Boituva.

O salto de paraquedas foi um dia surpreendente. Os que não saltaram – meu caso – ficaram o dia todo por conta disso, mas ninguém reclamou ou se mostrou incomodado. O espírito de equipe reinava. Os que ficaram encorajavam aqueles que saltariam e aproveitavam o dia tomando cerveja e relaxando no gramado do Centro Nacional de Paraquedismo.  O grupo que pulou, foi recebido com palmas e muita festa.

Esperava me sentir deslocado em uma viagem para solteiros, mas não foi assim. Fiz novos amigos, conheci pessoas inspiradoras e me diverti em um roteiro inesperado e confortável.

*Daniel Ribeiro viajou a convite da Single Trips.

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