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O terrorismo e as suas férias na Europa
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Daniel Ribeiro

07 Abril 2016 | 00h19

Museu do Louvre em Paris. Foto: Divulgação/ Atout France

Museu do Louvre em Paris. Foto: Divulgação/ Atout France

A Europa foi alvo de quatro ataques no ano passado, três na França e um na Dinamarca, e dois em 2016, na Bélgica e na França novamente, além de um atentado no aeroporto de Istambul, na Turquia, que eleva o número de morotos para cerca mais de 300. As ações de grupos chamados terroristas expuseram vulnerabilidades de destinos turísticos clássicos.

O turismo é um mercado diretamente afetado por esses acontecimentos. Embora ainda não haja dados oficiais sobre a redução de buscas por destinos europeus, é possível notar uma baixa nos preços de passagens aéreas e o surgimento de promoções financeiramente muito vantajosas. O Departamento de Estado dos Estados Unidos chegou a emitir um comunicado aos seus cidadãos para que evitassem viagens ao continente até o fim de junho. Segundo o documento “os grupos terroristas continuam a planejar ataques em curto prazo em toda a Europa, visando eventos esportivos, locais turísticos, restaurantes e transportes”.

Mas o que devemos fazer? Aproveitar os melhores preços ou evitar o velho mundo por hora? O Viagem Sem Fim conversou com o cientista político e consultor de riscos políticos e investimentos no exterior da Aon Brasil, Keith Martin, sobre o tema. O consultor acrescenta que o cenário atual reforça a necessidade de contratar um seguro-viagem. “Além do seguro médico, o seguro oferece a segurança também que, se houver um ataque num destino para onde pretende viajar, pode facilitar o cancelamento da viagem”.

 

Com os recentes ataques terroristas, a Europa se confirma um alvo dessas organizações. Há algum estudo de quais são os países mais vulneráveis?

Keith Martin: É difícil quantificar “vulnerabilidade”.  Há estudos sobre quais lugares já sofrerem mais ataques, quais têm o maior número de jihadistas que foram para Síria e Líbia, por exemplo. Mas não há estudos que possam prever, com qualquer valor científico, onde haverá ataques no futuro.  E a situação é muito fluída. Podemos destacar que os países do centro-leste da Europa (Polônia, República Tcheca, Croácia, etc.) e Portugal, por enquanto, não parecem estar na mira dos terroristas.  Do outro lado, por um conjunto de fatores internos e externos, a Turquia – e particularmente as cidades de Ancara e Istambul – tem sido um alvo frequente nos últimos meses.

 

Os turistas com viagens programadas à Europa têm que se preocupar com essas ocorrências? Se sim, em todos os destinos do continente?

KM:  Apesar do risco ter aumentado, o turista pode viajar com relativa tranquilidade.  Mesmo com os ataques recentes, a Europa continua sendo um lugar muito seguro comparado com outros quando incluímos outros fatores, como criminalidade, por exemplo.  Com tudo, o turista deve ser atento e também olhar os comunicados do Ministério de Relações Exteriores ou do Departamento de Estado.  Sabemos que os terroristas visam grandes cidades, e geralmente pontos estratégicos de aglomerações de pessoas – aeroportos, metrôs, ônibus, trens, estádios, etc., mas obviamente, muitas vezes não é possível evitar esses lugares.  Adicionalmente, vale ressaltar que na Europa – diferentemente de alguns outros lugares do mundo – atrações turísticas não têm sido – até agora – alvos dos terroristas.

 

Quais os países considerados seguros neste momento histórico-político?

KM:  “Seguro” também é uma palavra relativa.  Sabemos que há países que nunca ou raramente sofrerem ataques de terroristas internacionais – como o próprio Brasil, o Canadá, as ilhas do Caribe, Austrália, Nova Zelândia etc.  Mas é preciso olhar o conjunto dos riscos e a probabilidade estatística para ter uma ideia global e realística da situação. Mesmo com os ataques, milhões de pessoas moram e visitam Londres, Paris, Madri e outras cidades europeias sem nenhum problema.

 


 

A Aon publica anualmente um Mapa de Risco Político voltado para empresas e investidores. O mapa pode ser acessado por turistas, mas o viajante deve estar ciente de que ele inclui uma gama muito grande de riscos políticos, como expropriação e quebra de contrato, além de guerra, terrorismo.  E o mapa não inclui os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que inclui grande parte da Europa e os Estados Unidos. Ou seja, apesar de não ser voltado para o turismo, pode ajudar salvo ressalvas.

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