“Quem viaja consegue empregos melhores”

“Quem viaja consegue empregos melhores”

Daniel Ribeiro

14 Abril 2016 | 01h27

Os viajantes mais frequentes têm vantagens no mercado de trabalho. Isso porque essas pessoas estão mais habituadas a lidar com adversidades, imprevistos e até mesmo frustrações. Além disso, os turistas habitués costumam ser planejados, objetivos e econômicos, tudo o que o mundo corporativo adora. É bastante comum que profissionais de todas as áreas busquem agências de intercâmbio para fazer cursos fora e alavancar a carreira aqui no Brasil. Mas e o mercado? Os empregadores valorizam isso de verdade? Sim. Sobretudo as empresas mais estruturadas e com planos de carreira. “Quem viaja consegue empregos melhores”, diz a supervisora de assessoria de carreira da Catho, Larissa Meiglin.

DIvulgação/ STB

DIvulgação/ STB

Larissa me contou que as pessoas que vivem essas experiências voltam mais confiantes. “Passar por imprevistos, ter de se virar sozinho em um país onde não domina bem o idioma, se adaptar a uma nova alimentação, conhecer uma nova cultura e novos costumes, aprender a ser flexível, lidar com frustrações, além de saber pedir ajuda e encontrar soluções com poucos recursos são exemplos dessas capacidades. Esse tipo de experiência favorece o desenvolvimento de inúmeras habilidades que são muito valiosas no mercado de trabalho”.

Conversei também com o CEO da agência de intercâmbios STB, José Carlos Hauer Santos. Ele acrescentou que a maioria das pessoas que procuram a agência de intercâmbios quer aprender ou aperfeiçoar um novo idioma, tema prioritário para o crescimento profissional. Segundo ele, os intercambistas voltam com o senso crítico ampliado. “O fato de você sair do ninho, de olhar outros povos e culturas, provoca uma mudança no jeito de ver e pensar o mundo. Todos que participam destes programas de viagens sofrem uma transformação positiva”, conta o empresário.


Não pense que somente as viagens para estudos podem contribuir para sua ascensão. Uma viagem de lazer também faz diferença. Essas informações precisam estar contidas no seu currículo, mas com alguns cuidados e de forma muito sucinta. “Se for por razões de estudo, o ideal é dar ênfase nos detalhes sobre a instituição de ensino e como foi o período de estudos. Se foi a passeio, o destaque é na vivência cultural. Caso o profissional tenha passado por mais de um país, vale a pena citar o nome de todos os países, porque isso atrai a atenção do recrutador, mas é bom guardar os detalhes para a hora da entrevista”, explica Larissa.

O Guilherme Françolin, sócio-diretor da consultoria Santo Caos, lembra que há pelo menos três etapas nas viagens: planejar (escolher o destino, ver os custos, decidir o que fazer, quando e como), o viver (experimentar, conhecer, conversar) e o compartilhar (registrar e comentar).  Para ele, cada pessoa desenvolve habilidades diferentes ao viver as mesmas experiências. “Se é uma pessoa que não gosta da etapa de planejar e prefere pegar tudo pronto em pacotes, a competência das decisões, do planejamento, de se estruturar que pode ser levado para o mundo corporativo pouco vai ser trabalhada. O mesmo acontece com quem não planeja nada e improvisa tudo como mochileiros, este desenvolve um senso de oportunidade, de improviso e jogo de cintura que também pode ser muito útil em qualquer equipe”, comenta.

A palavra-chave é sair da tal zona de conforto. E isso, quem viaja muito adora fazer. “Se é alguém que não gosta de se misturar ficar apenas na zona de conforto se perde uma boa oportunidade de entender que não é apenas a própria visão de mundo que existe”, completa Guilherme. A etapa de compartilhar também pode render bons frutos na vida profissional. “Qualquer empresa valoriza uma pessoa que sabe ensinar e treinar outras. Se você tem costume de fazer isto e gosta de contar histórias que sejam relevantes para o ouvinte, isto vale a pena”, finaliza.

5 dicas para capitalizar as viagens no seu currículo

1 – As viagens são diferenciais e não a principal coisa do seu CV. Esse item deve ocupar poucas linhas.

2 – Na entrevista procure dizer como a sua viagem contribuiu para seu crescimento pessoal e profissional. Conte como resolveu alguma situação adversa e transformou uma adversidade em uma experiência positiva. (Recrutadores adoram isso!)

3 – Sabe aquela viagem a Paris em que você basicamente bebeu e flertou com locais? Então, não precisa contar tudo isso para o recrutador. Procure enfatizar como o Louvre ampliou a sua percepção sobre a produção artística mundial.

4 – Museus, universidades, bibliotecas e diversas outras instituições no mundo inteiro oferecem minicursos, palestras e workshops gratuitos (ou muito baratos). Inclua alguma dessas atividades em seu planejamento e inclua um workshop de redação na Biblioteca Pública de Londres, por exemplo.

5 – Entenda seu perfil antes de se jogar. Profissionais jovens em início de carreira devem apostar em períodos mais longos fora do país. Já os profissionais mais experientes devem evitar ficar mais de seis meses fora porque o mercado os considerará desatualizados. Para este perfil, o melhor é aproveitar o período das férias.

 

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