Refúgio: a viagem que ninguém quer fazer

Refúgio: a viagem que ninguém quer fazer

Daniel Ribeiro

20 Junho 2016 | 09h37

Refugiada busca familiares por meio do aplicativo da ONG Refugees United. Foto: Reprodução/ RefUnite

Refugiada busca familiares por meio do aplicativo da ONG Refugees United. Foto: Reprodução/ RefUnite

Imagine fazer uma viagem sem planos, você deve partir agora. Sem bagagem, levando apenas o que estiver ao alcance de suas mãos.  Sem dinheiro. Sem destino certo. Sem a sua família, ou apenas com parte dela. Sem dizer tchau. Sem saber se vai voltar algum dia. Sem saber sequer se irá chegar.

Em São Paulo conheci um congolês que chegou com um casal de filhos de 4 e 7 anos por meio da organização Refugees United, da qual sou voluntário. Voltando para casa com os pequenos, ele foi avisado que sua mulher foi morta e que o estavam esperando para matar. Sem alternativas, fugiu. Ele trabalhava em um partido político desempenhado tarefas administrativas.

Aqui também conheci o garoto de 11 anos que fala português, inglês, francês e lingala. Ele chegou ao Brasil com a mãe e a irmã que também são poliglotas.


E o sírio que tinha um negócio rural com seu irmão que foi morto em um ataque a um ônibus.

Cientistas políticos, religiosos conhecedores de filosofia, engenheiros, matemáticos, professores. Todos essas pessoas fizeram a viagem que ninguém quer fazer, mas para muitos é a única saída. A única chance de sobrevivência.

Milhares de pessoas viajam dessa forma todos os dias. No momento em que vivemos a maior crise de refugiados da nossa história, ainda abunda desconhecimento sobre o tema. Essa viagem que ninguém quer fazer insiste em ocupar as páginas impressas e digitais dos jornais, os minutos do telejornal, a rua, a vida. Não há mais como fugir. Precisamos falar sobre refúgio.

Se você chegou a este texto, não há desculpas para que você não tenha informações sobre esta crise. Hoje, 20 de junho, celebra-se o Dia Mundial do Refugiado. Gostaria de te convidar a um exercício de reflexão.

Os motivos que levam as pessoas a fugirem são os mais diversos. A guerra é apenas um deles. Rixas políticas, perseguição religiosa, orientação sexual, desastres naturais, acidentes nucleares e escravidão são alguns outros.

Poderia ser qualquer um de nós. Um dia poderá ser. Não sabemos.

 

Deixo aqui o vídeo institucional da Cáritas Arquidiocesana, organização que acolhe e colabora nos processos jurídicos para que os solicitantes que chegam a São Paulo conquistem o status de refugiados que lhes garantem mais direitos.

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