Rio-Santos: a viagem dos sonhos

Rio-Santos: a viagem dos sonhos

Daniel Ribeiro

11 Setembro 2016 | 16h20

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No réveillon de 2008, minha família e eu fomos para uma casa em Bertioga, a primeira praia do litoral norte de São Paulo. No dia 31 faltou água e, no dia 1º, minha mãe quis voltar para casa por conta disso. Como eu tinha mais dias de férias, meu pai voltou de ônibus para trabalhar e minha mãe, meu irmão e eu decidimos seguir viagem.

Minha família sempre viajou muito de carro. Meu pai é mineiro e visitamos meus tios e primos que moram lá pelo menos uma vez por ano durante toda minha infância e adolescência. Íamos frequentemente à praia e costumávamos almoçar aos domingos em cidades do interior de São Paulo.

Quando tinha 21 anos, minha mãe foi de São Paulo a Natal (RN) em um fusca com dois amigos. Eles fizeram uma rota por Minas Gerais para depois chegar ao Rio de Janeiro. O sonho dela, a partir de então, era fazer uma viagem de carro pela Rio-Santos, a estrada que liga o litoral de São Paulo à cidade maravilhosa. Apesar de ser um roteiro próximo e acessível, foi só naquele verão que ela conseguiu realizar esse desejo, e eu fui dirigindo.


Quando saímos de Bertioga, seguimos pela Rio-Santos sem rumo definido. Quando a tarde caiu, paramos em uma praia no município de Caraguatatuba e dormimos em uma pousada. Pelo caminho, as curvas percorriam montanhas que separavam as belas praias do litoral norte e minha mãe suspirava maravilhada a cada surpreendente vista que aparecia em nossa frente.

Com a câmera digital em mãos e suspirando com as paisagens, minha mãe seguiu no banco do carona até Paraty, no segundo dia. Passamos a noite em Paraty e o dia seguinte passeamos pela cidade nada acessível para meu irmão que é deficiente físico. Decidimos descansar mais uma noite lá e no dia seguinte, pegamos a estrada de volta no sentido a Ubatuba.

Optamos por voltar e visitar amigos que temos em Taubaté ao invés de ir ao Rio. A subida da Serra que liga Ubatuba a Taubaté foi o segundo momento de estresse da viagem. O primeiro foi a tentativa de subir de Paraty para Cunha por uma estrada que não era asfaltada naquela época. Passamos pela encantadora São Luiz do Paraitinga e terminamos as férias em Taubaté com amigos.

Foi uma viagem improvisada, barata e sem extravagancias. Mas foi a realização de um sonho repleto de significados. Tenho muita viva em minha memória a imagem da minha mãe maravilhada com as paisagens, genuinamente feliz e empolgada.

Há um ano, minha mãe fez sua última viagem. Levamos suas cinzas misturadas com sementes de flores para florescer à margem da estrada que leva ao mar, seu grande refúgio enquanto viajou por esta Terra.