Você tem que ir para Berlim!

Você tem que ir para Berlim!

Daniel Ribeiro

27 Abril 2017 | 17h33

“Você tem que ir para Berlim!” Ouvia essa recomendação/ conselho/ ordem desde que consigo me lembrar*.

Aos quatro anos vi pela televisão o muro de Berlim cair. Não entendi, naturalmente, o que a cena representava, mas lembro da atenção com que todos na sala assistiam à televisão e sabia que algo importante acontecia.  De 1989 até hoje muita água rolou pelo rio Spree e o surpreendente de Berlim é a capacidade de relacionar-se com suas histórias sempre no tempo presente.

O Parque do Muro (Mauerpark) se tornou um centro de recreação aos fins de semana. No verão tem até karaokê,

O Parque do Muro (Mauerpark) se tornou um centro de recreação aos fins de semana. No verão tem até karaokê,

Nos anos 2000, a capital alemã ganhou a simpatia dos modernos, dos hipsters, dos artistas e todo mundo me dizia que “é a sua cidade”. Berlim, no entanto, é blasé. E esses movimentos dos nossos tempos também são. A cidade tem algo maravilhoso que é um culto às liberdades individuais e você pode sair na rua com uma fantasia de pernalonga ao lado de alguém seminu com adornos de couro e tudo bem. Por outro lado, se você passar mal na rua poderão achar que é uma performance e talvez até te joguem umas moedas.


Berlim é uma cidade maravilhosa, respeitosa e vanguardista, mas é também solitária. E o inverno deixa tudo mais cabisbaixo. Na estação, os dias amenhecem tardem e a luz vai embora cedo. 17h já é noite e muito mais frio. Então, essa é uma desrecomendação para visitar Berlim? Pelo contrário. Vá, mas vá neutro. Berlim é legal exatamente por ser diferente. É preciso fazer um certo exercício difícil de limpar as referências mentais e se abrir para o novo.  É difícil fazer isso quando viajamos, afinal os planos de viagens são alimentados de expectativas.

A Catedral de Berlim e A Torre de TV, ícones da paisagem da cidade.

A Catedral de Berlim e A Torre de TV, ícones da paisagem da cidade.

O museu Pergamon é um dos mais  interessantes que conheci. Não pelo tamanho do acervo ou do próprio museu. A capital alemã é mestra em provar que tamanho não é documento. Pelo menos quando falamos de cidades turísticas. Apesar disso, é um monumento babilônico gigantesco que  faz a instituição conhecida e impressiona até os mais céticos: a Porta de Ishtar.

Porta de Ishtar no Museu Pergamon, em Berlim. © Staatliche Museen zu Berlin, Vorderasiatisches Museum / Olaf M. Teßmer

Porta de Ishtar no Museu Pergamon, em Berlim.
© Staatliche Museen zu Berlin, Vorderasiatisches Museum / Olaf M. Teßmer

As portas parecem ser um importante elemento na cidade. O Portão de Brandemburgo talvez seja o cartão postal mais conhecido da cidade e de sua frente partem tours a pé (walking tours) em que você só paga no fim o quanto acha que vale. As gorjetas aos guias variam entre 5 e 15 euros por pessoa. Os tours levam em média duas horas e são um excelente panorama para dar os primeiros passos em Berlim. Outra passagem importante visitada durante a caminhada é o Chekpoint Charlie, um posto militar que funcionava como fronteira entre as Alemanhas Oriental e Ocidental enquanto o muro esteve de pé.

Eastside Gallery, uma parte do que sobrou do muro apropriada por artistas do mundo todo.

Eastside Gallery, uma parte do que sobrou do muro apropriada por artistas do mundo todo.

A cidade é cheia de bons restaurantes e bares com uma diversidade ampla de cervejas. Os teatros e mostras de dança e cinema estão por toda parte, assim como as galerias de arte. Berlim é a cidade do futuro neste sentido, sem nunca esquecer do passado. A visita ao Memorial do Muro de Berlim deixa claro o quanto tudo ali é recente e o quanto nós, seres humanos, temos uma capacidade incrível de nos reinventar.

 

*Fui a Berlim a convite da British Airways e do Visit Berlin.

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