Um dia antes da avalanche, clima era de alegria
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Um dia antes da avalanche, clima era de alegria

Adriana Moreira

20 Abril 2014 | 22h15


Felipe Mortara

Após oito dias caminhando desde Lukla, a 2,8 mil metros de altitude, o grupo da Grade 6 Viagens realizou um dos grandes sonhos de todos amante da montanha. Pernoitamos duas noites no acampamento base do Monte Everest, a 5.340 metros.

Altar e bandeiras utilizados no ritual do puja, com a cascata de gelo do Khumbu ao fundo, na véspera da avalanche. Foto Felipe Mortara/Estadão

Entre a terça-feira, 15, e a quarta-feira, 16, pudemos desfrutar das comodidades instaladas no acampamento das expedições que rumam ao cume, oportunidade rara para praticantes de trekking.

Aproveitamos muito bem a chance, conhecendo diversos sherpas da expedição liderada pelo alpinista campinense Carlos Santalena e com o engenheiro paulistano Cid Ferrari como um dos participantes. Na companhia deles fizemos um tour guiado de cerca de uma hora pelo glaciar do Khumbu, que margeia todo o acampamento base.

Da frente de nossas barracas era possível avistar claramente a cascata de gelo do Khumbu, que é ponto de partida de qualquer expedição e tida como a parte mais perigosa da ascensão ao cume.

Na quinta-feira, 17, pela manhã, quando partimos em vários acampamentos, inclusive no nosso, estavam ocorrendo cerimônias de Puja, em que os montanhistas sherpas e ocidentais eram guiados por um lama budista e fazem oferendas a montanha. A ideia é pedir permissão a ela para que todos possam subir. É o momento mais espiritual de toda a temporada.

Na própria quinta-feira, algumas expedições já iam subindo a montanha para montar seus acampamentos 1 e 2. Curioso que quando partíamos rumo a Lobuche vimos dezenas de xerpas carregando equipamentos de filmagem para o campo base.

Eram majoritariamente parte de uma produção Hollywoodiana que retrataria a tragédia de 1996. Inclusive um dos produtores me disse que havíamos participado de uma tomada quando caminhávamos para fora do acampamento.

Na sexta-feira, dia 18, estávamos tomando café da manhã em Lobuche quando percebi uma movimentação estranha de sherpas e líderes de expedição do lado de fora do local onde estávamos abrigados. Logo chegou a notícia de que ocorrera uma avalanche e que xerpas da expedição provavelmente tinham sido vítimas.

Houve comoção por parte dos líderes que tentavam o que podiam com rádios e dos xerpas que acompanhavam nosso grupo em direção ao Vale de Gokyo e ao Islând Peak. Alguns souberam da morte de irmãos e amigos ali mesmo. Uma situação triste e extremamente desesperadora.

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