A capital dos ursos e o dia em que gelei a alma
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A capital dos ursos e o dia em que gelei a alma

Fabio Vendrame

25 Março 2014 | 03h00

Panorâmica da capital – Fotos: Felipe Mortara/Estadão


BERNA

Se alguém disser que não gostou de Berna, desconfie. Peça argumentos. Provas. E, por fim, interne a pessoa urgentemente. Não dá para não gostar da capital da Suíça. Podem achá-la pacata demais, talvez até silenciosa demais para os jovens, mas ninguém pode negar sua beleza, sua arborização farta e as lindíssimas e verdejantes curvas do Rio Aare, a alma da cidade.

Quem sabe sua essência esteja no nome. Bern significa “urso” em alemão, e o motivo foi a chegada, em 1530, do oficial Von Mein com um urso de 400 quilos. Logo virou a atração local ao fazer truques em troca de comida. Na época, registrou-se, “o urso vivia como um Deus na França”. A partir daí a cidade adotou o bicho como símbolo. Mas foi justamente durante a invasão do francês Napoleão Bonaparte, entre 1798 e 1815, o único período em que a cidade não teve um mascote vivo.

O urso marrom de Berna

Daí você se pergunta: mas hoje em dia tem urso na cidade? Claro que tem. No zoológico? Pior que não. Quatro ursos marrons moram em um amplo viveiro às margens do rio, onde de vez em quando nadam diante de turistas e entusiasmados moradores.

Rosa. Pertinho dali, uma ladeira leva a uma das joias de Berna, excelente ponto de partida para entender a cidade, espalhada pelos ângulos do Rio Aare. O Rosengarten, ou jardim das rosas, é daqueles lugares fotogênicos que reúnem um belo mirante e também uma rica coleção de flores.

Antes de atravessar a Untertorbrücke e rumar para o centro antigo, faça uma boquinha no Klösterli Weincafé, sob a sombra de plátanos. Peça uma cerveja (8 francos suíços ou R$ 21,30), acompanhada por uma tábua de frios com seu surpreendente salame de cavalo (19,50 francos suíços ou R$ 52).

O nome é impronunciável, mas subindo pela Gerechtigkeitsgasse você chega aonde precisa. À esquerda aparece o largo da Catedral, cuja torre está em obras há anos. A construção de mais de 500 anos exibe uma reprodução do julgamento final.

A criticada postura neutra da Suíça nas últimas grandes guerras teve um visível lado positivo. Descubra-o nas estreitas ruas deste patrimônio da Unesco, que desde o século 18 não teve nenhuma casa derrubada. Há edifícios como a Torre do Relógio, de 1530, em que uma traquitana de Kaspar Bruner faz, de hora em hora, um showzinho para quem passa pela Marktgasse.

Ali perto há um lugar relativamente bom para visitar. Explico: a Einstein Haus, funciona na casa onde viveu por dois anos o físico Albert Einstein, entre 1903 e 1905. Após conhecer o pequeno museu (6,50 francos ou R$ 17,30), deguste a saborosa cerveja cujo slogan diz “relativamente, a melhor”.

Mergulho no Rio Aare com água a 16 graus

Por fim, volte ao Rio Aare para uma experiência inesquecível. Mergulhar e deixar-se levar pela correnteza. Mas não se aventure a fazê-lo entre outubro e março, pois as chances de uma hipotermia são grandes. No dia em que gelei a alma, em setembro, a água estava a 16 graus. Foram cinco congelantes, porém intensos, minutos. Quer dar uma olhadinha na experiência? É só clicar no vídeo abaixo. / F.M.

 

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