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A dimensão do que importa

Tania Valeria Gomes

27 Janeiro 2009 | 16h05

Mr. Miles foi convidado para escrever, no último domigo, algumas
linhas sobre os 455 anos de São Paulo. Abaixo, o que ele disse:

Well, my friends: não me importo de dizer o quanto estou honrado de ter sido convidado a tecer considerações sobre São Paulo, mas desde já, peço a vossa indulgência, visto que sou, probably, o único estrangeiro a invadir esta seara. Conheci diversas São Paulo distintas desde que estive por aqui pela primeira vez a long time ago.
Recordo-me que a simpática — apesar de um tanto afrancesada — urbe que visitei à época logo me agradou pela arquitetura familiar de seu terminal ferroviário da Luz.
Havia uma certa energia no ar, motivada, if I remember, por uma espécie de festival cultural alternativo que ocorria no moderno Teatro Municipal inaugurado há apenas uma década. Pude, inclusive, acompanhar algumas apresentações daquele happening, motivado que fui por uma nova amiga que fiz (Tarsila was her name). However, devido à precariedade de meu português de então, não entendi patavina dos discursos e recitais que incluiam frases como ” Eu insulto o burguês!(…) A digestão bem feita de São Paulo!”
Anyway, simpatizei com a cidade. Specially quando descobri que ela havia sido fundada em 1554, ano em que a soberana de meu país era Mary I, mais conhecida como Bloody Mary. Uma péssima rainha, mas uma ótima combinação de vodka, suco de tomate e molho worcestershire. Don’t you think so?
Voltei muitas vezes à São Paulo e sempre me assustei com sua volúpia desenvolvimentista. “Somos a cidade que mais cresce no mundo”, diziam-me todos, com um orgulho tão rutilante que cegava a razão. Ainda quando ajudei Adoniran (N. da R: Adoniran Barbosa ) a compor o Trem das Onze em justa homenagem à nossa São Paulo Railway, nos anos 60, a metrópole tinha dimensões humanas. Nowadays, unfortunately, é grande demais até para o santo que a batiza. Por mais e melhor que se faça — e, of course, nem sempre é isso o que acontece —, não há quem possa cuidá-la nos detalhes, compreendê-la por partes e harmonizá-la num todo. That’s why ela é, a meu ver, bela mas feia, moderna mas antiquada, recatada mas despudorada.
Na arquitetura, um prato montado a quilo, onde o arroz e o macarrão, my God, convivem com o sushi e a picanha.
Um estranho paraíso de milhares de restaurantes, dos quais apenas os que têm filas na porta parecem despertar o apetite. Uma curiosa conjunção de centenas de bairros cujos nomes começam com Jardim — e onde não há, at least, uma begônia para regar. Um lugar com mais farmácias do que doentes, mais templos do que fiéis e mais pet shops do que mascotes passeando na coleira. E, no entanto, li que neste ano, não haverá o bolo do Bexiga.
Há massa, há creme, há fome e há gula. Não há, however, quem cuide. Por isso arrisco afirmar: a São Paulo, my friends, falta apenas alçancar o tamanho do que realmente importa. Do you agree?