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A festa dos queijos em Toronto

Angela Perez

02 Maio 2011 | 10h00

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Caverna do queijo na Cheese Boutique, em Toronto. Foto: Renata Reps

Quem estiver em Toronto nesta época do ano vai acompanhar uma transição de estações. É a primavera, época em que as tradicionais mapple trees ainda não floresceram e os nativos oscilam entre a felicidade com a chegada dos dias mais quentes e o cansaço pelo inverno que foi duro. No meio de tudo isso, uma simpática loja na Ripley Avenue ostenta um rato gigante na entrada e mais de 500 tipos de queijos de todo o mundo. O mês de transição é, para The Cheese Boutique, momento de festa: em todos os sábados e domingos de maio, o Festival of Chefs reúne alguns dos melhores chefs da cidade para uma experimentação gastronônica engajada.

Por 5 dólares canadenses (US$ 5,26), o visitante tem acesso a um menu especialmente preparado e uma taça de vinho. Pelo oitavo ano consecutivo, a renda será revertida para a instituição Famous People Players, um grupo de teatro cujos artistas são deficientes físicos ou mentais. Na inauguração do evento na tarde de domingo (1.º), o convidado foi o chef Rob Gentil, do restaurante italiano Buca. Ele criou um prato com coração de boi, cebolas caramelizadas e, é claro, queijo. A peculiar história da loja, que já existe há 40 anos, conta que o dono, Fatos Pristine, tinha uma paixão insaciável por queijo tipo brie, regalia que não existia na pacata Toronto da época. Por outro lado, era possível encontrar a iguaria na efervescente Montrèal, para onde ele dirigia todos os fins de semana somente para comprar o ingrediente.

Aos poucos, cozinheiros locais e donos de restaurantes ficaram sabendo que, na casa de Pristine, nunca faltava brie. E sempre que precisavam, batiam em sua porta. Por que não – ele pensou – fazer disto um negócio? Hoje, o local tem uma das três “cavernas de queijo” do mundo, um refrigerador especialmente desenhado para o processo de maturação do laticínio. O ambiente não passa dos 2.º e seu valor é avaliado em US$ 1,5 milhão. “Aqui também funciona como um banco, onde o cliente compra um queijo e o deixa maturando, envelhecendo e ganhando sabor e valor”, explica James Hastings, um dos administradores da Cheese Boutique. Além disso, várias experiências são feitas, com criação de novos queijos e aperfeiçoamento de sabores já existentes.


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O chèvalier Afrim Pastrine e o chef do Buca, Rob Gentil. Foto: Renata Reps

É um negócio de família. Pai e filho – o especialista em queijos Afrim Pastrine –  trabalham no caixa e no balcão de vendas, respectivamente, apesar dos inúmeros funcionários que ajudam a atender a demanda. No local também há frios, presuntos, bebidas e utensílios domésticos. Vale levar para casa artigos de luxo, como uma garrafa de azeite de trufas negras (19,90 dólares canadenses, US$ 21) ou caixas do sal gourmet Maldon (6,99 dólares canadenses, US$ 6,4). Ou dar uma passadinha rápida para levar para o hotel um pouco do queijo que foi servido no casamento de Kate Midleton e o Príncipe William, o Royal Windson, que passa por um processo de maturação no vinho tinto e, por isso, fica cor de rosa. Se der tempo, então, inclue esta inesperada lojinha gourmet em seu roteiro de toronto. Vale a pena.