A pedidos, a Escandinávia
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A pedidos, a Escandinávia

Adriana Moreira

29 Março 2010 | 23h07

Dois leitores pediram, nas últimas semanas, dicas sobre a Escandinávia. Para ajudar na viagem da Felícia e do @atlasimoveis, postamos aqui algumas das reportagens já publicadas sobre os destinos.

ESTOCOLMO

Skogskyrkogården,Gamlastan, Slottsbacken, Österlånggatan. Não deixe que esses nomes assustem você na hora de planejar uma visita a Estocolmo. Pequena, plana, organizada e lotada de gente que fala inglês melhor que muito britânico, a capital sueca é incrivelmente amigável para turistas. No verão, é possível caminhar entre um bairro e outro – ou melhor, entre uma ilha e outra, já que se trata de um arquipélago – e descobrir como história e modernidade se misturam cidade afora.
Vista de Escolmo. Foto Marcelo Forlani/Arquivo Pessoal

Vista de Escolmo. Foto Marcelo Forlani/Arquivo Pessoal

De um lado, estão as construções antigas, muitas do século 15, preservadas pelo fato de o país não ter sido bombardeado nas Guerras Mundiais. De outro, lojas de design e bares nunca vistos, como o IceBar, onde você se sente num filme de ficção científica, cercado de gelo por todos os lados. Uma boa idéia é começar a conhecer Estocolmo pela Gamla Stan, a cidade velha, toda calçada de seixos. Não se preocupe muito com o mapa e vá caminhando pelas ruazinhas medievais. Em pouco tempo, você vai se deparar com palácios e construções grandiosas em meio a casas antigas de parede cor de terra, que hoje abrigam ateliês e simpáticos cafés.

O Palácio Real é parada obrigatória. O antigo forte foi transformado em residência real em 1670 e, com mais de 500 cômodos, é um dos maiores do mundo. Tente estar por ali ao meio-dia, quando ocorre a troca da guarda – menor e menos enfadonha do que a inglesa. Com uniformes azuis e capacetes dourados, os soldados são mais simpáticos e “acessíveis” que seus colegas britânicos.  Continue o passeio até a charmosa Stortorget, a praça mais antiga de Estocolmo, onde estão a Bolsa de Valores e o museu do Prêmio Nobel. Para quem gosta de igrejas, as mais interessantes são a Storkyrkan e a Tyska Kyran.


Em seguida, para descobrir o porquê de Estocolmo ser apelidada de “a Veneza da Escandinávia”, caminhe pela margem do canal – da Skeppsbron, ainda em Gamla Stan, siga até a Strandvägen, espécie de boulevard onde os abastados moram e guardam seus barcos.
Outra boa dica é visitar o Red Boat Mälaren – albergue que fica dentro de um barco ancorado perto do centro histórico. Para quem não quiser se hospedar por lá, vale uma parada para comer ou beber algo.

Perder umas horas no SoFo (sul de Folkungagatan) é uma boa pedida para os jovens. Como todo bom Soho, o bairro é animado e cravejado de lojas e cafés. Um programa mais família é visitar o Skansen, um zoológico/museu a céu aberto, onde é possível observar como viviam os suecos antigamente e ver alces, ursos e outros animais pouco conhecidos dos brasileiros. (Mariana Della Barba)

COPENHAGUE

Uma ilhota de nome impronunciável (Sjælland), criada ainda em meados do século 12, e com uma história bem conservada.  Considerada a capital cultural da Escandinávia, exporta arquitetura, design e estilo de vida.  Embora pequena, a Copenhague de hoje vende bem sua mistura de passado viking e modernidade, talvez como nenhuma outra cidade da região.

O traço medieval se conserva nas ruelas do centro da maior cidade dinamarquesa e, principalmente, no desenho do porto.  Ali perto, em Nyhavn, o encantamento dá o ar da graça mais uma vez, ante a visão das casinhas pintadas de cores alegres.

Copenhague tem essa peculiaridade: o frio ajuda a criar uma atmosfera de sonho entre seus prédios de arquitetura rococó, neoclássica e moderna.  Afinal, esta foi a morada do escritor Hans Christian Andersen (1805-1875), autor dos livros O Patinho Feio e A Pequena Sereia – símbolo da Dinamarca, cuja estátua em Langelinie faz o visitante caminhar contra o vento para vê-la de perto, sobre as águas.

Sua vocação comercial vem dos tempos que era entreposto de mercadores.  Hoje, são os turistas que invadem as ruas – basta ver a Strøget, uma sucessão de ruas que partem do prédio da Prefeitura e têm a missão de tentar os olhos e o bolso. Magazin du Nord, a loja de design Illums Bollighus, grifes Gucci, Chanel e Louis Vuitton dividem atenções com antiquários e butiques que só existem lá, principalmente nas imediações da Rua Ostergade.  

No verão, a região, que já é agitada à noite, fica repleta de artistas de rua. Os guias orgulham-se ao dizer que, nesta cidade de pouco mais de 1 milhão de habitantes, há oito restaurantes estrelados no Guia Michelin.  Há, portanto, boas opções para quem não tem limite no cartão de crédito.  Mas o smørredbrød, sanduíche tradicional, é encontrado em muitos bares e lanchonetes de Copenhague por algumas poucas coroas.

A maior atração da cidade é o Tivoli, um parque com “P” maiúsculo, localizado ao lado da estação central de trem.  Dentro de seus portões de ferro, cercado de altos muros, há 82 mil metros quadrados repletos de restaurantes, casas de espetáculo, lojinhas de souvenirs e brinquedos de parque de diversões, como a roda gigante mais antiga do mundo.  Ganha da Disney em longevidade: foi construído em 1843 por Georg Carstensen, um oficial do exército. Olívia Fraga

Tivoli Park: www.tivoli.dk (85 coroas, ou R$ 29)
Magazin du Nord: www.magasin.dk
llums Bolighus: www.illumsbolighus.dk
 
HELSINQUE

Detalhe da Estação Central de Trens de Helsinque. Foto Ana Carolina Sacoman/AE

Detalhe da Estação Central de Trens de Helsinque. Foto Ana Carolina Sacoman/AE

As paisagens começam a descongelar e a hora de empreender uma viagem para o Norte Europeu é agora – isso, claro, se você considerar médias de 10 graus, em plena primavera, algo suportável.  Nesta edição, tomamos Helsinque como ponto de partida para outras cidades merecedoras de um olhar atento.  Sim, você leu certo: a capital da Finlândia é meio caminho para lugares como Tallin, na Estônia (83 quilômetros em linha reta pelo Mar Báltico).

Prefere algo menos exótico?  Saiba, então, que São Petersburgo, na Rússia, fica a míseros 310  quilômetros dali (também em linha reta). Para completar, as capitais nórdicas não estão muito longe – Estocolmo, na Suécia, por exemplo, localiza-se a menos de 400 quilômetros de Helsinque.

Interessou?  Então, comece a se programar desde já.  O sucesso da empreitada depende de um bom planejamento.  Isso porque a Rússia exige visto de brasileiros – e, como  burocracia é igual no mundo inteiro, não se trata exatamente de uma boa idéia deixar para colocar os documentos em ordem durante a viagem.
É preciso, também, prestar atenção aos caprichos da natureza.  A travessia de barco para Tallin dura apenas 1h30 e a tarifa de ida e volta custa € 50 (R$ 128), mas depende das condições climáticas, mesma coisa do cruzeiro para Estocolmo (a € 100 ou R$ 256,50; ida e volta).  Sentiu o drama?  Não desanime, isso tudo vai valer a pena no final.

Reserve uns três dias para circular entre Helsinque e Tallin.  A finlandesa tem seu charme e não é preciso vasculhar muito para chegar aos pontos turísticos.  Tudo fica perto, no centro, que é muito bem servido por linhas de trens urbanos, ônibus e metrô.  Detalhe: não há placas de sinalização em inglês, apenas em sueco e finlandês, mas é facílimo encontrar alguém na rua para pedir uma ajuda.

Um bom ponto de partida é o Senate Square, quadrilátero que reúne a Catedral Luterana, a Universidade de Helsinque e o gabinete do primeiro-ministro, todos erguidos no começo do século 19, quando Helsinque foi transformada em capital (antes, era Turku).

Imponente, a Catedral, toda branca, teve sua construção arrastada entre 1818 e 1852 e fica no alto de uma escadaria.  O esforço para vencer os inúmeros degraus e conhecer o interior só vale se você for aficionado por altares e afins.  Caso contrário, guarde fôlego para entrar na Catedral Uspenski, a próxima parada.

No alto de um monte, de frente para o porto, o prédio de tijolos vermelhos e cúpulas douradas se destaca de longe.  Erguida entre 1862 e 1868 em estilo bizantino russo, a Uspenski remete ao período em que o país viveu sob domínio dos czares.

Pausa para um resuminho histórico: parte do reino sueco, a Finlândia foi tomada pelos russos na Grande Guerra do Norte, entre 1700 e 1721 – mas conseguiu manter alguma independência e nunca adotou o russo como idioma oficial, por exemplo.  Duzentos anos depois, rebeldes teriam aproveitado a Revolução Russa, em 1917, para declarar a independência do país.

Antes de entrar na Uspenski, tida como a maior igreja ortodoxa da Europa Ocidental, repare nas 13 cúpulas, representando Cristo e os apóstolos.  No interior, as paredes e o telhado são ricamente decorados. E, já que você embarcou nesse roteiro religioso, feche o circuito na Igreja Temppeliaukio, uma curiosa construção encravada numa rocha.  Por fora, parece um abrigo antiatômico esquisito.  Por dentro, o templo, finalizado em 1969, lembra uma caverna, de beleza ímpar.  Além da pedra, na construção foram usados vidro, para captar a luz do sol e formar mosaicos na parede, e madeira.

Mais uns quarteirões e você está nas redondezas da Estação Central de Trem – dali sai a linha que leva até São Petersburgo –, com terminais de ônibus e estação de metrô.  O primeiro terminal data de 1860, mas o prédio logo ficou pequeno e obsoleto.  No começo do século 20, a estação foi redesenhada e ganhou novas plataformas.  Mais uma vez, os finlandeses pensaram pequeno e tiveram de reformular tudo na década de 1960, quando a construção ganhou um elegante hall, hoje abarrotado de lojas de doces e souvenirs.

Gaste umas horas por ali – as bancas vendem ótimos sanduíches tipo wrap.  Ao lado da estação fica o exuberante Teatro Nacional, de 1872; na calçada oposta está o Ateneum Art Museum, que abriga acervo e exposições de arte moderna finlandesa.  No mesmo quadrilátero há uma penca de cassinos (mas, atenção, só tente a sorte se souber alguma coisa de finlandês; as maquininhas, sem tradução em inglês, não perdoam turistas “analfabetos”).

Uma última volta pelo centro antes de seguir para o hotel.  As ruas de comércio, como a Mannerheimintie, abrigam lojas de marcas que, provavelmente, você nunca ouviu falar – porque são locais, oras.  Há, claro, toda sorte de cadeias internacionais, como Zara e H&M.  Entre os melhores endereços para compras estão o shopping Forum e a loja de departamentos Stockmann (veja mais na página 9), mas não se empolgue muito.  Os preços em toda Helsinque raramente são vantajosos. 

Uma curiosidade: diferentemente do Brasil, os shoppings lá simplesmente não têm bancos nem cadeiras para o visitante sentar e descansar, somente na praça de alimentação e, para ficar ali, é preciso consumir… Ana Carolina Sacoman

Catedral Luterana: Senaatintori, 709
Cat.  Uspenski: Kanavakatu, 1
Temppeliaukio: Lutherinkatu, 3
Teatro Nacional: Rautatientoru, s/n.º
Ateneum Art Museum: Kaivokatu, 2; www.ateneum.fi/en; entradas a € 8 (R$ 21)
Forum: Mannerheimintie, 20; http://www.cityforum.fi/