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A precocidade de Thiago Jr

Tania Valeria Gomes

27 Agosto 2009 | 15h34

Retornando de sua curta temporada de birdwatching nas ilhas Shetland, nosso viajante percorreu a Escócia e a Inglaterra a bordo do MGA Roadster 1960 de sua tia Harriet, um carro tão pouco usado que “ainda não completou a milhagem prevista para a sua segunda revisão”. Durante a jornada, aproveitou para rever as ruínas do Muro de Adriano perto de Newcastle upon Tyne e visitou, orgulhosamente, a bela e sólida Catedral de Durham. Em Manchester, fez seu velho amigo Sir Alex Ferguson abandonar mais cedo um treino dos Red Devils para acompanhá-lo a um pub e lembrar-se, emocionado, de alguns dos 66 gols que marcou como atacante do Dumfermline Athletic, nos anos 60 do século passado. De volta a Essex, respondeu a pergunta da semana:

Mr. Miles: meu filho acaba de completar seu primeiro aniversário e vamos presenteá-lo com uma viagem a Orlando no fim do ano. O senhor tem alguma recomendação especial?
Thiago Cagliari, por email

Of, course, my friend: por quê você não aproveita a ocasião e inscreve seu infante para uma vaga no draught da próxima temporada da NBA? Sim, pois segundo eu presumo, o pimpolho é um fenômeno de precocidade. Já posso imaginá-lo divertindo-se a valer nas montanhas-russas dos parques temáticos da cidade? Ou será que vocês o estão levando para fazer pechinchas nos outlets locais?
Give me a break, dear Thiago!
Se o seu sonho de menino era esbaldar-se em algum parque de diversões colossal, please tell me: por que cargas d’água você foi esperar o menino nascer? Well: talvez lhe ocorra que o pequeno Thiago Jr. (is this his name?) vai ter divertidas lembranças para compartilhar no futuro. O abraço daquele grande rato de pelúcia? Ou as panquecas com maple syrup que são abundantes no café-da-manhã?
It’s quite unbelievable, fellow!
Lamento lhe dizer, mas não existem viajantes de um ano de idade. Ocorrem, eventualmente, situações em que os pais de crianças nesta condição são obrigados a transportá-los de um lugar para o outro por motivo de mudança ou, no máximo, porque vão veranear em uma praia próxima. O seu projeto, I’m afraid, é carregado de dolo. Thiago Jr. será exposto à condições adversas desde o check-in até a volta.
O mesmo ocorrerá com você e sua esposa. Passeios interrompidos, sightseeings pelos fraldários, jornadas pelas drugstores (em busca de fraldas, isn’t it?). Você há de argumentar — que pai não o faria? —, que um único sorriso de seu baby já compensaria qualquer dificuldade. Pois eu me atrevo a pensar, I’m afraid, que a compensação que o motiva são os calafrios, as vertigens e demais emoções prometidas pelos muitos brinquedos que, unfortunately, seu filho será impedido sequer de experimentar.
Isto posto, my friend, ofereço-lhe, como resposta, duas recomendações alternativas. Dirija-se ao seu agente de viagens e, com muito jeitinho, negocie um adiamento dessa family trip. Peça-lhe dez anos, para ver se consegue ao menos oito. Se, however, essa tática não funcionar convença sua sogra a acolher o pimpolho por alguns dias enquanto você e sua mulher se divertem em Orlando. E não esqueça: compre um presente para ela naquele outlet ao regressar.