A taverna de Dresden
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A taverna de Dresden

Tania Valeria Gomes

16 Dezembro 2008 | 16h20

Nosso inefável viajante manda noticias da Alemanha, para onde se dirigiu convidado a participar de um certo Comitê pelos Festejos dos 20 Anos da Queda do Muro, a serem celebrados em 2009. Mr. Miles não sabe bem por que foi chamado para participar desse grupo de notáveis, mas espera “enriquecer os debates, trazer propostas positivas e, last, but not least, estender a noite nos bares de Prenzlauer Berg”. Hospedado no célebre Hotel Adlon e com saudades dos drinques que bebeu com Marlene Dietrich diante do Portal de Brandemburgo – antes de insistir com Emil Jannings que ela estrelasse O Anjo Azul – nosso correspondente dessa vez fez questão de levar Trashie consigo.
A cadelinha, que Miles define como “minha raposa das estepes siberianas” fica, como se sabe, sempre animada em viajar para destinos invernais. A seguir, a pergunta da semana:

Mr. Miles: até que ponto as dicas publicadas em guias e revistas de viagem são confiáveis? Refiro-me, especialmente, aas que mencionam hotéis, restaurantes e vida noturna.
Patricia Montenegro, por email

Well, my dear: a boa dica, como a boa bebida, você só conhece no dia seguinte. Unfortunately, há que provar a sugestão que lhe agradou para estabelecer uma relação de confiança com a publicação que você escolheu ou abandoná-la forever. Há formas, however, de diminuir a quantidade de embusteiros pelo caminho. Textos mal escritos, frívolos, revelam, em geral, pesquisadores que jamais estiveram no lugar que recomendam. Prefira, of course, referências inteligentes e, se possível, brasileiras. O que agrada a um travelwriter de uma revista inglêsa não precisa, necessariamente, ser do gosto de um viajante brasileiro. Do you know what I mean?Esteja sempre atenta para que você não esteja cometendo, perhaps, um engano de expectativa. Optar, for instance, por um hotel limpo e barato significa, no mais das vezes, que você deve ficar satisfeito e encontrar um hotel limpo e barato. Se o estabelecimento for luxuoso, tiver vista excepcional e ainda assim for economico e asseado, o analista terá sido ruim por omissão. Am I right? Veja o que me ocorreu ainda nesta semana: fui aa Dresden para a 574ª edição do Striezelmarket, o mais antigo dos milhares de mercados de Natal que ocorrem em terras teutônicas, dando-lhes uma atmosfera pacífica que, well, não corresponde exatamente aos fatos de sua história pregressa. Comprei alguns enfeites que costumam fazer a alegria de minha doce tina Henriette, a autora do melhor kidney pie (N.da R.: torta de rim, prato típico inglês) do Condado de Essex. Na volta, em busca de um restaurante, consultei um famoso guia de origem britânica que me apresentou a um convidativo Sophienkeller, ” taverna típica da Saxônia estabelecida no século 18, com ótima comida e bons preços”.
A opção parecia interessante. Don’t you agree?
Well, Patricia: o que encontrei, instead, foi um ashaming parque de diversões falso como uma nota de 3 pounds e 23 shillings. Garçonetes vestidas como bruxas, decoração precária e, oh, My God, uma mesa redonda imitando um carrossel antigo, com cadeiras balançando atadas a correntes. Não provei a comida, of course, mas joguei um guia no lixo. Fair enough, isn’t it?

SophienkellerSophienkeller salão