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Alguns hotéis de morte

Tania Valeria Gomes

17 Novembro 2008 | 14h44

Cheiro de morte nos aposentos. Overdose, suicídios, assassinatos a sangue frio ou acidentes inexplicáveis. Bizarros ou não, alguns hotéis espalhados pelo mundo valem-se de acontecimentos macabros para conquistar hóspedes. Uma lista recentemente publicada pelo colunista Ralph Martin, do site concierge.com, dá uma mostra desses locais com uma sugestão aos corajosos turistas ávidos por histórias aterrorizantes. Ao entrar no famoso Chelsea Hotel, por exemplo, um dos concierges contará sorridente sobre como o baixista da banda inglesa Sex Pistols, Sid Vicious, matou sua namorada, Nancy Spungen, em outubro de 1978 a facadas na suíte 100 do hotel.
No luxuoso L’Hôtel, em Paris, ninguém perdoa Oscar Wilde por ter morrido em seu interior deixando uma dívida de 26 mil francos. O escritor que, em 1900, pereceu não se sabe de quê, acabou ficando com fama caloteiro. E reclamão: antes de morrer, proclamou sua aversão à decoração do hotel. Uma de suas últimas frases foi: “ou esse papel de parede ou eu temos que morrer”, disse, referindo-se ao décor de seu aposento.
O impecável Beau Rivage, às margens do Lago Genebra, também foi o palco de um assassinato histórico. Em setembro de 1898 a Imperatriz Elizabeth, da Áustria, foi atacada pelo anarquista Luigi Lucheni quando saia do hotel para tomar um barco no lago. O estilete, que atingiu a nobre diversas vezes no coração e no pulmão, não foi suficiente, no entanto, para manchar sua reputação de elegância: ela não admitiu que seu corselete fosse aberto em público para que as feridas fossem cuidadas, o que a levou a morrer mais tarde quando, de volta ao hotel, constatou-se que o seu sangue havia terminado.

Well, my friends: a respeito dessa simpática nota de Ralph Martin, ouso supor que está esclarecida a “causa mortis” de Oscar Wilde: foi o papel de parede da suíte do L’Hôtel que o assassinou. Motivo? Legítima defesa.