Arizona: Ao som de Eagles, por esquinas e florestas
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Arizona: Ao som de Eagles, por esquinas e florestas

Fabio Vendrame

13 Maio 2014 | 03h50

Música dos Eagles acompanha viajantes – Fotos: Ricardo Chapola/Estadão

WINSLOW

A pequeníssima Winslow começa a ter graça para o visitante muito antes de ser ela mesma. Desde a capital Phoenix, onde desembarquei, até chegar à cidadezinha de 9 mil habitantes localizada em direção ao nordeste, são cerca de 200 quilômetros em uma viagem que passa rápido para quem gosta de observar a natureza. Que, aqui, é feita de contrastes complementares.

Ao longo da primeira hora, o que se vê pela janela do furgão é um deserto povoado por cactos de quase 3 metros de altura. Depois, pinheiros de copas esbranquiçadas pela neve – caso você vá no inverno como eu. Há momentos em que é possível ver areia e neve na mesma paisagem, uma coexistência de quente e frio. E, de novo, os cactos, que seguem até a chegada a Winslow. De cair o queixo.


Foi graças à música Take It Easy, lançada pelos Eagles em 1972, que a cidadezinha fez fama. A esquina específica citada na canção, cenário de uma paquera, virou ponto turístico com estátua, pintura e o melódico trecho “Standin’ on the corner” (parado na esquina) em uma placa.

Não resista: faça ali o seu selfie. Depois de ter feito o meu, por pura coincidência, escutei a música duas vezes em Winslow. Virou a trilha sonora involuntária da viagem.

A impressionante Petrified Forest

De pedra. Não há badalação em Winslow – se o objetivo for esse, fique em Phoenix ou vá para Tucson, os grandes centros urbanos do Arizona. De Winslow, espere se deslumbrar com a Petrified Forest, literalmente uma floresta petrificada, um parque nacional nos limites da cidade, acessado por qualquer estrada a partir dela.

Como o próprio nome diz, a Petrified Forest é formada por pedras que um dia foram árvores. São 252 quilômetros quadrados de troncos gigantescos espalhados no meio do deserto, com textura de madeira, mas duros como rochas – o que são de fato, depois de um processo que levou algo como 217 milhões de anos para chegar ao resultado atual.

O parque é público e a entrada, gratuita. Mas vale a pena contratar guia, que sabe apontar as maiores e as mais famosas árvores petrificadas espalhadas pela área e, além disso, tem o carro adequado para vencer alguns trechos difíceis (que não são muitos, é verdade, mas dão trabalho considerável), acidentados ou enlameados. Se preferir ir por conta própria, há mapas no site oficial.

Na lama. O caminho até as pinturas rupestres é assim, um atoleiro – que o diga quem escolheu ir na caçamba, o que fiz. O resultado foi chegar enlameado aos paredões rochosos onde estão as pinturas feitas pelos apaches em época ainda não determinada pelos cientistas: insetos gigantes, caçadores com pernas e braços de palito e ainda desenhos menos fáceis de identificar, mas igualmente interessantes.

Marcas ancestrais deixadas pelos apaches

São, em geral, bem conservados. Um ou outro está seguido por assinaturas de turistas que por algum motivo acham que vale mais registrar sua passagem por ali do que preservar vestígios da história. Os guias pedem pela conservação das pinturas, embora sejam muitas vezes ignorados. Bem, tente fazer a sua parte quando for até lá. / R.C.

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