Arizona: Portas abertas para os cânions
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Arizona: Portas abertas para os cânions

Fabio Vendrame

13 Maio 2014 | 03h30

No Walnut Canyon, trilhas são bem sinalizadas e podem ser feitas sem guia – Foto: Ricardo Chapola/Estadão

Flagstaff convida a desbravar o Walnut Creek, monumento formado por rochas de tonalidades claras e muita vegetação

FLAGSTAFF

De Winslow a Flagstaff, o caminho tem um encanto extra: os pouco mais de 100 quilômetros são percorridos pela mítica Rota 66. A estrada, ícone do sentimento de liberdade idealizado pelos jovens americanos nas décadas de 1950 e 1960, corta o território dos Estados Unidos de leste a oeste. Neste trecho, guarda réplicas de carros abandonados no acostamento e motos de mentirinha esperando pelos turistas ávidos por fotografias.


Flagstaff, cidade de mais de 65 mil habitantes, fica na zona de transição da região desértica para a semiárida. E abre as portas para os primeiros cânions da viagem. Muitos viajantes usam a cidade como base para visitar o Grand Canyon – a portaria do parque nacional está a cerca de 90 quilômetros dali; e o Skywalk, a passarela de vidro pendurada sobre o vazio e de frente para o impressionante cânion, fica a pouco mais de 100 quilômetros.

Meu roteiro não incluiu o Grand Canyon. Em compensação, o Walnut Canyon (US$ 5), nos arredores, tem tantas maravilhas quanto o vizinho famoso.

Refúgios indígenas pelo caminho – Foto: Escritório de Turismo do Arizona

A trilha que leva às belas paisagens deste monumento nacional é segura e bem sinalizada o suficiente para ser feita sem guia. Dura cerca de uma hora e é um pouco puxada, é verdade, com muitos trechos de subida. Mas o cansaço fica em segundo plano pela beleza do lugar.

O Walnut Canyon é um vale composto por rochas claras que contrastam com o verde mais escuro dos pinheiros que recobrem suas encostas. Antigamente, essa garganta rochosa servia de abrigo para os índios que se refugiavam do frio hostil da região. Você vai trombar com algumas dessas singelas “casinhas” ao longo da trilha. E leve a sério o fator frio, constante por ali em qualquer estação, por causa do vento forte.

No fim da trilha há lojinha com os souvenirs de sempre: chaveiros, camisetas, amuletos, ímãs de geladeira.

Em plena atividade. Não espere ver cactos em Flagstaff – esse tipo de vegetação de ambientes áridos não cresce nas zonas de transição. Mais uma vez, a paisagem será tomada por pinheiros. Às vezes dá até sensação de que o Arizona não é aqui: para qualquer lado que se olhe há picos nevados – lindas montanhas que escondem vulcões ativos sob um manto branco e gelado.

O mais imponente deles é San Francisco Mountain, que pode ser visto de onde quer que se esteja. Curioso é que os moradores das áreas aos pés do vulcão se mostram serenos – mais de uma vez ouvi deles que “as chances de erupção são remotíssimas”. Boto fé e o lugar é mesmo bonito. Mas melhor seguir adiante. / R.C.