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Atenção aos falsários

Tania Valeria Gomes

04 Fevereiro 2009 | 18h50

Em resposta aos leitores que comentaram as dicas sobre fotos de viagem que mr. Miles publicou na semana passada, o afamado viajante manda dizer que não fez senão algumas ilações de senso comum. Informa, ainda, que não costuma carregar a velha Rolley-Flex em suas andanças porque têm as mãos ocupadas por sua inseparável bengala e, quase sempre, por algum romance representativo do lugar que está visitando. “Besides, não me agrada carregar equipamentos pendurados ao corpo, como se fosse uma árvore de Natal. Só o faço, as you know, em minhas incursões de birdwatching, quando os binóculos são absolutamente indispensáveis”.
Nosso correspondente também foi inquirido sobre a crise que se esboça entre Brasil e Itália em função da concessão do asilo político a Cesare Battisti. Sem entrar no mérito da contenda, mr. Miles apenas mandou dizer que soube, através de suas ligações com o submundo, da existência de algumas dezenas de terroristas, traficantes e serial-killers já munidos de sandálias havaianas, bronzeadores e passagens para o Brasil — onde pretendem desfrutar ” de mr. Genro’s magnamity. Nenhum deles, of course, provém de Cuba, da Venezuela ou da Coréia do Norte”.
A seguir, a correspondência da semana:

Prezado mr. Miles: informo, indignado, que recebi notas falsas de peso argentino ao trocar meus reais em uma agência bancária de Buenos Aires. Pior que isso: o banco ignorou minha queixa, como se o desonesto fosse eu. Como escapar desse tipo de cilada?
Ricardo Sacerdote, por email

Well, my friend: eu seria demasiado cruel se atribuísse apenas aos argentinos o golpe mais velho e disseminado deste mundo de tantas moedas. E, veja bem, o problema aplica-se tanto aos países onde a moeda é mais forte — e portanto vale o esforço dos velhacos por uma cópia notável — quanto aos países mais pobres, onde a quantidade de zeros em cada nota é tão astronômica que um viajante acaba sendo facilmente enganado. Eu mesmo, anos atrás, paguei um café em Moçambique, que custava 50 mil meticais com uma nota de 1 milhão de meticais. Meu troco, em notas miúdas, foi de 50 mil meticais — um incalculável bolo de dinheiro que, entretanto, gerou-me um prejuízo equivalente a dezoito cafezinhos. Can you believe me?
O caso por você relatado, fellow, envolve, I presume, a má fé de um caixa de banco. Não há formas de defender-se, a não ser conservar a atenção — e mesmo essa providência não evita uma falsificação bem feita, que, por outro lado, terá grandes chances de ser passada adiante.
Quando há um surto de má fé monetária acometendo determinado país (informe-se com o concierge de seu hotel), uma sábia providência é pedir uma retroca imediata. Ou seja: se o caixa ou o operador da casa de câmbio lhe deu um punhado de notas de cinqüenta, diga, sem verificar, que você prefere notas de vinte. É improvável que o golpista tenha um estoque variado de cédulas feitas em casa. Se, ainda assim, however, o golpe lhe for aplicado, volte ao estabelecimento e cumprimente o safardana. Ele realmente fez por merecer. Don’t you think so?