Aventura em meio a ‘pueblos’ e altas montanhas
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Aventura em meio a ‘pueblos’ e altas montanhas

Mônica Nóbrega

04 Março 2014 | 05h00

Passeio no caminhãozinho adaptado Movitrack revela contornos das ‘quebradas’. Fotos Rodrigo Burgarelli/Estadão

SALTA

Se você vai ter apenas um dia livre para passear em Salta e quer saber o que fazer, não pense duas vezes. Vá a uma agência de turismo e, sem piscar, contrate um tour pela Quebrada de Humahuaca, que atravessa boa parte da província de Jujuy.

Considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco desde 2003, a quebrada é bordejada por enormes montanhas das mais variadas formas e cores, que parecem saídas de um conto de fadas.


Esse vale começa próximo da cidade de Purmamarca, a cerca de 160 quilômetros de Salta ou 65 quilômetros da capital de Jujuy, chamada San Salvador de Jujuy (uma cidade menos turística e com poucos atrativos). Logo em Purmamarca já se encontra uma das suas principais atrações: o Cerro de los Siete Colores, (ou Montanha das Sete Cores). Sim, é uma montanha com sete tons diferentes de marrom, alguns até meio esverdeados, cada um formado em uma época geológica diferente.

O passeio continua por cerca de 70 quilômetros em direção ao norte. No caminho, outras montanhas épicas se descortinam aos olhos do visitante.

Grandes morros multicoloridos, margeados pelo largo leito de um rio, acompanham cada momento da viagem, abrigando pequenas cidades com arquitetura colonial espanhola, cemitérios coloridos e até um conjunto de ruínas pré-colombianas chamadas Pucará de Tilcara – passeio que vale só pela vista espetacular que se tem do topo das ruínas. No fim da quebrada, fica a cidade de Humahuaca, onde se pode descansar antes de fazer todo o caminho de volta.

Com um dia a mais, invista na Quebrada de Las Conchas, rota que começa a cerca de 90 quilômetros de Salta. Sua atração principal são as formações de rocha avermelhada na área desértica, onde fica uma reserva natural. Várias delas ganharam nomes de acordo com o objeto com que se assemelham. A mais impressionante é o Anfiteatro, que tem a forma de uma concha acústica natural. Pode soltar a voz.

 

Escavado na montanha, o Anfiteatro é impressionante – e usado para concertos de verdade

Dali, a rota continua pela região vinícola, os Vales Calchaquíes, terminando na cidade de Cafayate – uma dica é parar para almoçar em uma das várias bodegas localizadas ao longo desse trecho e depois retornar para Salta.

Sem barreiras. A brisa bate no rosto enquanto o Movitrack (movitrack.com.ar; desde 577 pesos argentinos ou R$ 172) desce e sobe pelo relevo íngreme do altiplano andino na Quebrada del Toro. O caminhãozinho adaptado para o turismo (tem até banheiro dentro) pode abrir ou fechar o teto, de acordo com o clima daquele dia. Passando por pequenos pueblos, chega-se ao ponto mais alto por onde transita o Tren a Las Nubes: 4.200 metros de altitude. Melhor investir na folha de coca.

Lhamas e vicunhas surgem aqui e ali, soltas na natureza. Não ficamos o tempo todo dentro do veículo, é claro, mas o tal minissafári exige saída por volta das 6 da manhã e a volta é só depois das 20 horas. Se achar que é muito tempo na estrada, não precisa descartar o tour: há opções mais leves. / RODRIGO BURGARELLI