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Bela, verde e cheia de sabores

Fabio Vendrame

25 Março 2014 | 02h40

A preocupação ambiental é marca da cidade. A gastronomia também – da cozinha contemporânea à herança italiana no distrito de Santa Felicidade

Mônica Nobrega

Um mês após correr o risco de ser excluída da lista de sedes da Copa, Curitiba está em clima de obras aceleradas para cumprir a promessa feita à Fifa de entregar o estádio em 30 de abril. No site do Clube Atlético Paranaense é possível ver fotos e vídeos atualizados da reforma na Arena da Baixada. As visitas estão suspensas e devem permanecer assim até a Copa. Mas o estádio fica perto do centro – é fácil ir lá e garantir a foto da fachada.

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A capital mais fria do Brasil tem temperatura média de 13 graus no inverno. É uma cidade que funciona razoavelmente bem. Ficou famosa pela eficiência do seu sistema de transporte – a linha expressa é conhecida como “ligeirinho” – e pela preocupação ambiental. Parques são um ótimo programa. E há ainda cultura, história e boa mesa.

 DIA 1: Patrimônio e degustação

Um achado é o tour a pé da Fundação Cultural de Curitiba. São duas horas pelo centro histórico – Memorial de Curitiba, Ruínas de São Francisco, a recém-reformada Igreja Matriz e mais. “O foco não é tanto turismo, mas o patrimônio”, diz o coordenador de Ação Educativa Júlio Manso Vieira. Gratuito – os mediadores (e não guias) não esperam gorjeta –, é preciso reservar bem antes (tel.: 41-3321-3282). Ao fim, prove o café do premiado barista Otávio Linhares no Rause Café e Vinho.

Almoce risoto de pinhão no Devon’s, no vizinho Centro Cívico, e siga para o Museu Oscar Niemeyer, ali perto. O fim do dia é para bater pernas e curtir happy hour no Batel, antes de se deliciar com o menu degustação da chef Manu Buffara, hoje uma das mais badaladas da cidade.

DIA 2: Vá de ‘jardineira’

Apelidada de “jardineira”, a Linha Turismo de Curitiba é uma das melhores do Brasil, com 25 paradas. O tíquete (R$ 29 por pessoa) permite quatro reembarques.  Antes, dê uma boa olhada na Rua das Flores, primeira no País a ser transformada em calçadão, e na restaurada Rua 24 Horas. É aqui que você pega a “jardineira” , para descer no famoso Jardim Botânico, com sua icônica estufa e seus jardins franceses.

A próxima parada será na Ópera de Arame. Depois da visita, caminhe até a cantina Mangiatto Bene para um almoço farto com paleta de carneiro ou marreco recheado. Via “jardineira”, gaste a tarde entre os parques Tanguá e Tingui. Para jantar no bairro italiano de Santa Felicidade será preciso voltar ao hotel de táxi. Por bom motivo: está lá o folclórico Madalosso, um dos maiores restaurantes do mundo com 4,5 mil lugares, onde se come polenta com frango frito.

DIA 3: Morretes cheia de graça

O programa mais bacana perto de Curitiba é ir a Morretes, aos pés da Serra do Mar. A cidade litorânea tem casas coloridas, cachaça de banana e a comida típica, o barreado, cozido de carne em caldeirão de barro. Prove no Madalozo.

Pela linda Estrada da Graciosa são 30 quilômetros a partir da BR-116 (o acesso está a outros 35 quilômetros de Curitiba). O carro serpenteia entre curvas, precipícios, cachoeiras, mirantes e pontos para piquenique, tudo em meio a Mata Atlântica. Para dirigir sem pressa.

A outra forma de vencer o desnível de 900 metros da serra é embarcar no Trem da Serra do Mar, que percorre 110 quilômetros da ferrovia de quase 130 anos. Sai da Estação Ferroviária de Curitiba, tem vagões simples e luxuosos e leva três horas entre 13 túneis e trechos em que o trem parece flutuar sobre o abismo. A ida em vagão turístico custa R$ 115 só na Copa – o valor regular é R$ 92.

Ainda há quartos com diária a R$ 149

Há quartos em hotéis da rede Accor (Ibis e Mercure) no centro e no Batel, com diárias mínimas entre R$ 149 e R$ 399. No Bourbon Curitiba, no centro, desde R$ 784. A Copa inflacionou a média das diárias na cidade em 77%, segundo o TripAdvisor: de R$ 282,43 para R$ 499,08.

Dica de morador: Washington Cesar Takeuchi

Engenheiro de profissão, o pé vermelho conhece cada pedacinho da capital paranaense. Há cinco anos mantém o blog Circulando Por Curitiba (www.circulandoporcuritiba.com.br), onde posta ao menos uma imagem por dia – já tem mais de 5 mil publicadas –, dá dicas e compartilha impressões. “Faça chuva, faça sol, na saúde ou na doença”, brinca Takeuchi, cuja página já ultrapassou 1,2 milhão de visualizações. Para ele, um bom começo é investir no centro histórico e na feira de artesanato. “Para ser completo, esse roteiro deve ser realizado aos domingos, pois é neste dia que a feirinha do Largo (da Ordem) acontece”, registra. “O largo tem esse nome porque abriga a Igreja da Ordem, de 1737, a mais antiga de Curitiba, onde funciona um belo Museu de Arte Sacra.” De lá, a ideia é seguir até o Teatro Universitário de Curitiba (TUC). “Ali, todo domingo o palco é livre para violeiros.”

Batel Soho. “Aos sábados há uma intensa programação cultural na Praça da Espanha, no bairro do Batel”, indica. “Para chegar lá, sugiro uma bela caminhada a partir da Boca Maldita, na Avenida Luiz Xavier, a menor do mundo com apenas 50 metros, onde senhores se reúnem para falar bem e mal de todo mundo”, diz. “Atravesse a Praça Osório até a Rua Comendador Araújo, cheia de casarios históricos. No cruzamento com a Rua Coronel Dulcídio, vire à direita.”

Linha Turismo. “Funciona muito bem, de terça a domingo, das 9h às 17h30. Passa por 25 pontos turísticos e custa R$ 29 com direito a quatro reembarques”, informa. “Desembarque em Santa Felicidade e almoce no Velho Madalosso”, diz. “Nas outras paradas, aproveite para conhecer o Jardim Botânico, o Museu Oscar Niemeyer e o Bosque Alemão.” / Fábio Vendrame