Beleza refletida na aridez de Uyuni
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Beleza refletida na aridez de Uyuni

Felipe Mortara

07 Janeiro 2014 | 02h15

Foto: Felipe Mortara/Estadão


Espelho infinito
Quando algum amigo postar no Facebook fotos de uma paisagem infinitamente branca, com o solo tomado por hexágonos perfeitos, pode apostar: ele está no Salar de Uyuni, na Bolívia. A 600 quilômetros de La Paz, este deserto de sal com mais de 10 mil quilômetros quadrados é um dos roteiros mais cobiçados do país. O cenário, a 3.600 metros de altitude, é resultado da evaporação da água de antigos lagos salgados. Durante o inverno, a imensidão reluzente e seca ameaça cegar os desavisados (óculos escuros e protetor solar são vitais). No verão, as chuvas formam uma lâmina d’água que reflete o céu e dá ao turista a sensação de caminhar sobre nuvens. O que poucos sabem é que o deserto costuma ser apenas parte – a melhor, muitos dirão – de um tour em jipes 4X4 que pode durar de três a cinco dias. Ao longo do percurso, paisagens menos famosas também surpreendem.

Foto: Felipe Mortara/Estadão

Caprichos rosados
Sedimentos vermelhos e pigmentação de algas são os responsáveis por dar o tom improvável à Laguna Colorada. Exuberante, a paisagem contrasta tons amarelos e cinzas do deserto e suas montanhas com o vermelho líquido. Como se não bastasse o visual desnorteante, as águas ainda são lar dos flamingos-de-james. À beira da laguna há algumas opções de alojamento. Mas o passeio não termina quando o sol se põe. Ao cair da noite, olhar o céu estrelado é um espetáculo inesquecível. Mas prepare um bom casaco: seja verão ou inverno, o frio é de doer os ossos.

Foto: Felipe Mortara/Estadão

Ferrugem idílica
O cenário é cinematográfico: um cemitério de trens no meio do deserto. No passado, o vilarejo de Uyuni era o entroncamento de linhas de trem de carga que seguiam rumo aos portos no oceano Pacífico. Até que, nos anos 1940, muitas empresas faliram com a crise na mineração e abandonaram seus bólidos metálicos espalhados por ali – para a alegria
dos turistas.

Foto: Felipe Mortara/Estadão

Ilha de cactos
Ponto improvável em meio ao deserto de sal, a Isla del Pescado surpreende de cara com seus imensos e abundantes cactos. Difícil não se perguntar como a vegetação pode existir (e resistir) em um ambiente tão inóspito, mas a explicação é simples: as plantas – que ali chegam aos 10 metros de altura – armazenam água das chuvas de verão. A razão do nome inusitado? Foram os índios aymara que batizaram a ilha que, vista de longe, parece ter o formato de um peixe. / FELIPE MORTARA