Caminho de Santiago: de Saint Jean a Roncesvalles
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Caminho de Santiago: de Saint Jean a Roncesvalles

Felipe Mortara

22 Setembro 2015 | 17h41

A intensidade vem por todos os lados. Na ladeira morro acima de Saint Jean até Roncesvales, no sol que finge que não queima, na água que parece que vai durar no cantil. Na vontade de viver ao máximo por todos os seguidores, amigos e parentes. A gente se lembra de todas as tias avós e vizinhos de infância enquanto sobe os Pireneus.

A cabeça vai para todos os lados e o pior parece ser entre Saint Jean e Orisson, mas não, depois a coisa fica menos íngreme, porém mais extensa e parece que nunca vai começar a descer até chegar aos 1.500 metros. Quando começa é incrível e aliviante.

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Porém, o Filipe Araújo ficou para trás fazendo imagens e respeitando algumas dores no pé. Fez seu ritmo enquanto eu rumava a Roncesvales a toda velocidade (não mãos que 3,5km/h) para garantir lugar no albergue público, pois as vagas são limitadas. Cheguei lá às 19:30, com um resto de sol. Mas nada do Filipe. E descobri que não poderia reservar lugar. Avisei a todos os voluntários holandeses que estavam cuidando do albergue e se ele não chegasse até as 21:30, disseram que deveriam chamar os bombeiros. Mas eis que às 21:22 ele entrou pelo restaurante (eu tinha hora limite pra almoçar e fazer checkin no albergue, de preferência com meu companheiro) trazido pelo incrível voluntário holandês Timmen, que já sabia seu nome e o abraçou aliviado quando chegou.


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Brindamos com vinho, cordeiro e batata frita. Eu estava apertado com a possibilidade de Filipe estar em apuros sérios. Fiquei extremamente aliviado. Entramos no quarto do albergue com a pontualidade holandesa e às 22hs a luz apagou. Fomos tomar banho na ponta dos pés. E nem ouvimos os roncos dos outros 30 peregrinos.