Cerveja de raiz em território nacional
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Cerveja de raiz em território nacional

Fabio Vendrame

28 Janeiro 2014 | 02h40

O País já tem uma respeitável variedade de fábricas artesanais, onde é possível provar a bebida feita com o jeito brasileiro. Veja sugestões em quatro Estados


Pedro Sibahi e Larissa Fafá / ESPECIAL PARA O ESTADO

Elas até se orgulham de seguir a famosa Lei da Pureza que um certo duque Guilherme IV criou lá na Baviera, no século 16, para padronizar a fabricação de cerveja na Alemanha, pátria da bebida. Mas as nossas cervejarias artesanais, cada vez mais numerosas e diversas, fazem isso com jeito autenticamente brasileiro.

Krug Bier, em Nova Lima, Minas – Foto: Divulgação

O que significa que à mistura de água, malte de cevada e lúpulo da receita original estabelecida pelo duque (e fermento, que veio depois), várias delas incorporam ingredientes para acrescentar sabores novos.

E o jeito mais interessante de provar tais sabores é mesmo in loco. Nas visitas às microcervejarias é possível caminhar entre os tanques, ouvir explicações sobre o processo de fabricação e depois se refestelar com goles das especialidades de cada casa. Veja opções para visitar em quatro Estados no País.

Dortmund: coentro e casca de laranja no preparo da weiss – Foto: Divulgação

SÃO PAULOPor influência de celebridades

Entre a região de Campinas e o Circuito das Águas Paulista há pelo menos quatro endereços cervejeiros dignos de nota. Em Indaiatuba, a fábrica da Karavelle – famosa por ter entre seus proprietários o cantor Seu Jorge – produz cinco variedades de cerveja. As visitas incluem degustação e ocorrem aos sábados, com agendamento. Outra opção é a cervejaria Dortmund, em Serra Negra. Entre as seis variedades, a Schloss, do tipo weiss (cerveja de trigo) é temperada com coentro e cascas de laranja, o que lhe dá um paladar refrescante. Em Valinhos, a Britannica tem como especialidade as cask ales, cervejas produzidas segundo a tradição inglesa e servidas diretamente de chopeiras, não engarrafadas. Na cidade de Itatiba, a Freisingbier é um bar que fabrica sua própria bebida – a produção está à vista dos clientes do lugar. Faz oito variedades de cervejas sob o comando da mestre cervejeira Glaucia Puccinelli Monte, formada em Munique. Destaque para a Freising Brut, cuja fermentação é feita pelo método champenoise, o mesmo usado para fazer os espumantes franceses.

Gastropub e o rock como inspiração – Foto: Divulgação

MINAS GERAISMalte e lúpulo nos domínios da cachaça

Famosa por sua produção de cachaças, agora é a vez das cervejas artesanais invadirem Minas Gerais. A rota das pequenas cervejarias se concentra na região metropolitana de Belo Horizonte. Uma das mais antigas é a Krug Bier, em Nova Lima, que desde 1994 fabrica cerveja artesanal com receita austríaca. O passeio precisa ser agendado; depois de conhecer o processo de produção, é hora de degustar os 13 tipos de cerveja e chopes. A Cervejaria Küd, com pouco tempo de estrada (desde 2008), surgiu da vontade de amigos de transformar um hobby em meio de vida. As cervejas levam nomes relacionados ao rock, com destaque para Tangerine, com casca de laranja e coentro. Smoke on the Water é feita com malte defumado. A Küd recebe visitantes em seu bar, um gastropub onde as receitas são harmonizadas com as bebidas produzidas na casa. Ainda na região metropolitana de Belo Horizonte, Ribeirão das Neves abriga a Falke Bier. O mestre cervejeiro Marco Falcone mostra desde uma pequena plantação de cevada até a adega subterrânea onde são feitas algumas das variedades fabricadas ali. Os nomes dados às bebidas homenageiam cidades históricas de Minas e também a turística Estrada Real. Imperdível é o rótulo exclusivo Vivre Pour Vivre, cujo preparo inclui uma terceira fermentação de jabuticabas. Na capital, a Cervejaria Wäls tem inspirações belga e checa para produzir os dez rótulos que compõem a carta. O endereço para conhecer os produtos é o Stadt Jever Pub, um dos mais tradicionais de Belo Horizonte, aberto há 30 anos. Para comer, pratos alemães.

Marca tem 15 rótulos no mercado – Foto: Felipe Rau/Estadão

SANTA CATARINAEstado da Oktoberfest tem litros de opções

O Estado da Oktoberfest brasileira tem cervejarias artesanais para todas as horas. A tradição é fruto da imigração alemã, que também deixou como legado na região as casas no estilo enxaimel e pratos como o eisbein (pode chamar de joelho de porco). Aqui, o tour da cevada pode muito bem começar em Balneário Camboriú, onde fica a fábrica da Wolf Bier, cuja cerveja emblemática é feita de trigo, produzida em alta fermentação e do tipo escura. A caminho de Blumenau, vale cogitar visitas às cervejarias Zehnbier, em Brusque; Kiezen Ruw, em Guabiruba; e Das Bier, em Gaspar. Ao chegar à capital nacional da Oktoberfest, bem, você terá litros de opções. As principais são a Wunderbier e a Bierland. No entanto, a mais afamada no pedaço é a Eisenbahn, que conta com 15 rótulos e está no mercado desde 2002. Rumo ao norte de Santa Catarina, a próxima parada é a fábrica da Borck, em Indaial, cujo mestre cervejeiro é o húngaro Zoltan Yhaz. Um bom desfecho pode ser a simpática Pomerode, lar da Schornstein, situada em um prédio tombado com mais de 50 anos. Ali, não deixe de provar a Imperial Stout, resultado de seis tipos de malte combinados com dois de lúpulo. Para arrematar, a dica é saborear o joelho de porco no restaurante WunderWald, que serve a iguaria a R$ 52.

Cervejaria Farol, em Canela – Foto: Divulgação

RIO GRANDE DO SULReceitas líquidas à moda alemã

São tantos os descendentes de imigrantes alemães no Rio Grande do Sul que fica fácil achar casas produtoras de cerveja artesanal no Estado. A Abadessa, no minúsculo município de Pareci Novo, é uma das mais famosas cervejarias artesanais do sul do País. O mestre cervejeiro Hebert Schumacher tem no currículo dez anos de atuação na Alemanha. Experimente a Frankonia, de malte defumado. A visita é feita apenas aos sábados pela manhã, com agendamento. Em Capela de Santana, a parada é para conhecer a Microcervejaria Barley. A fábrica, que começou como passatempo de dois amigos no início dos anos 90, é ideal para quem gosta da bebida mais leve e refrescante. Para acompanhar a cervejinha, é possível agendar um churrasco, galinhada ou joelho de porco no local. A Eisenbrück, na cidade de Feliz, aos pés da Serra Gaúcha, tem origem mais mainstream: os dois sócios deixaram a antiga Serramalte para criar, em 2006, sua própria bebida sem conservantes. Em Gramado, a pequena cervejaria Rasen Bier lança mão da tradição alemã e traz algumas novidades, caso da cerveja com aroma de maracujá. Na vizinha Canela, a família Bausch trouxe da Alemanha uma receita que teve como resultado a formação da Cervejaria Farol. Além de conhecer a fábrica, você pode almoçar no restaurante ou sentar em mesinhas externas. O pão da casa é preparado com o malte que sobra da produção de cerveja.

FESTA OU MUSEU?

Uaiktoberfest – A mineira Nova Lima está empenhada em se tornar referência na produção de cerveja artesanal. Em outubro, a cidade realizou a terceira edição de sua Uaiktoberfest, com três dias de duração e 25 produtores de cerveja promovendo seus produtos, mais oficinas com mestres cervejeiros e shows musicais.

Museu da Cerveja – Localizado em Blumenau, abriga exposição contando a história cervejeira de Santa Catarina, o que inclui peças de 1890 da icônica cervejaria Feldmann. Abre todos os dias. Telefone: (47) 3326-6791.