Chicago, São Francisco ou Washington DC?
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Chicago, São Francisco ou Washington DC?

Fabio Vendrame

06 Maio 2014 | 02h20

Ilustração: Farrell/Estadão

Nosso estimado viajante garante que virá mesmo ao Brasil para torcer pelo The Three Lions Team (a seleção inglesa) durante a Copa do Mundo. Infelizmente, mr. Miles não disse ainda onde ficará hospedado. A redação espera, ansiosa, que, dessa vez, o correspondente britânico nos dê o prazer de sua visita.
A seguir, a pergunta da semana:

Olá, mr. Miles, acompanho toda terça sua coluna no jornal Estadão e gostaria de saber sua opinião. Estou planejando ir para os Estados Unidos  fazer um curso de inglês. Nunca viajei para fora do País, será minha primeira experiência e pretendo ficar seis meses. Estou em dúvida quanto à cidade. Pensei em Washington, Chicago e São Francisco. O que o senhor me sugere? Um grande abraço! (César José Leonardo, de São José do Rio Preto, por e-mail)

Well, my friend. A César o que é de César, já diziam os centuriões romanos há mais de dois milênios. San Francisco, Washington ou Chicago? Para começar, acho que sua primeira triagem foi bastante acertada para alguém que deseje aprender inglês na América. Se você tivesse escolhido Miami, Los Angeles or even New York, suas chances de acabar usando o portunhol seriam deveras grandes – e, in my opinion, o que leva um aprendiz de idiomas aos melhores resultados é a convivência permanente com o cotidiano da língua em questão.


Tenho uma amiga chilena, Pola Bórquez Arango, que veio aprender inglês na Universidade de Birmingham, aqui em nossas ilhas. However, suas companheiras no dormitório da universidade eram três moças coreanas. Ao fim e ao cabo, dear César, o coreano de Pola – ainda que incipiente – voltou mais avançado do que seu inglês. Em resumo: sua experiência teve pouca valia.

Em San Francisco, você também poderá aprender idiomas orientais if you wish. É notável a presença de chineses e coreanos na cidade onde vive meu amigo Francis Ford Coppola. On the other hand, Frisco é uma cidade extraordinariamente tolerante com todos os tipos de pessoas, crenças e comportamentos. E, é claro, todos falam inglês.
Note bem, my friend: sempre indico cidades tolerantes, porque acredito que as urbes em que o forasteiro é bem-vindo e tratado como igual têm a capacidade de abraçá-lo com a ternura de mães gentis.

Com Washington DC acontece o mesmo fenômeno. A capital de nossos colonizados nem sequer lembra uma metrópole: como todos os edifícios têm de ser mais baixos do que a abóbada do Capitólio, Washington DC tem ares de cidade europeia. Besides, a convivência de diplomatas e espiões do mundo todo inocula na capital o bom sangue do cosmopolitismo. O risco, again, é o de você acabar se enturmando com brasileiros e latinos, que ali existem aos milhares, e voltar com dez palavras novas em seu vocabulário inglês.

Chicago, que é, as I see, a mais americana de todas as grandes cidades, uma espécie de confluência de todo o Centro-Oeste e o Norte do país, seria a minha escolha pessoal. Porque tem grandes obras de Frank Lloyd Wright e o melhor blues da América. E também pela beleza de sua Union Station, que quase compensa a feiura do Sears Building.

Anyway, dear César, espero que você, vindo das labaredas estivais de São José do Rio Preto, esteja preparado para passar frio. Chicago é a célebre cidade dos ventos, com longos dias abaixo de zero. Washington também sofre com nevascas durante o inverno. E San Francisco, onde não neva, pode ser enregelante. Como dizia o célebre escritor norte-americano Jack London, ‘o pior inverno que passei em minha vida foi um verão em San Francisco.’ Espero tê-lo ajudado, my friend.”

MR. MILES É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E 16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS