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Chuva impede procissões da Semana Santa em Málaga

Adriana Moreira

22 Abril 2011 | 15h00

Por Ligia Aguilhar

Os malaguenhos bem que tentaram. Traçaram rotas alternativas e mais curtas, adiaram o início, mas a chuva não deu trégua e ontem as procissões da Semana Santa foram canceladas mais uma vez. Apenas a confraria Mena saiu às ruas, aproveitando-se do único período em que o sol escapou por entre as nuvens carregadas.

O principal motivo para o cancelamento dos desfiles é o risco de as chuvas danificarem as imagens, algumas históricas, dos séculos 15 e 16. Confinadas nas igrejas, elas só ganham as ruas na Semana Santa.

Cada confraria normalmente desfila com duas: uma de Cristo e outra da Virgem Maria. Essas figuras são colocadas em tronos que são carregados nos ombros pelos irmãos (os membros dessas organizações). Um gesto de devoção e também uma forma de penitência, já que as procissões podem durar mais de 7 horas.


O início do desfile é anunciado pela batida do tambor, que dita o ritmo em todo o trajeto. Entre uma imagem e outra desfilam os nazarenos, figuras que chamam a atenção por vestir um túnica comprida e um capuz pontiagudo que os deixa apenas com os olhos descobertos. Tratam-se de penitentes que desejam anonimato no seu momento de sacrifício, que pode ser andar descalço durante a procissão ou com grãos dentro do sapato, por exemplo. São eles também que carregam as velas compridas que exalam aromas florais pela cidade durante a Semana Santa. Cada confraria tem uma túnica e um chapéu de cor diferente e os trajes costumam passar de geração para geração.

Alguns grupos contam ainda com a participação de militares durante a procissão, além dos músicos, que tocam trompetes e tambores, e as pagadoras de promessa, mulheres que desfilam logo atrás dos tronos com longos vestidos pretos.

Outro detalhe que chama a atenção é a participação de crianças. Algumas seguem os nazarenos durante as procissões para recolher a cera que derrete das velas. O costume é, na verdade, uma brincadeira entre os pequenos para disputar quem terá a maior bola de cera ao final da Semana Santa.

As confrarias não tem vínculo direto com as igrejas – embora seja nelas que as imagens permaneçam – e costumam promover eventos beneficentes ao longo do ano. Qualquer um pode participar dessas organizações, que solicitam contribuições financeiras para viabilizar seus projetos. O principal deles, claro, é a Semana Santa, que na Andaluzia, faça chuva ou faça sol, não perde o ar festivo.