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Copa 2014: Recife, com paixão e manteiga de garrafa

Fabio Vendrame

20 Maio 2014 | 02h40

Copa 2014: Recife – Após impor resistência, a capital do bolo de rolo e dos tubarões à espreita parece ter aderido ao Mundial. Aproveite o que há de melhor nas artes, à mesa e no mar do Recife e região

Fábio Vendrame

Não haverá tempo ruim no Recife durante a Copa, prometem as autoridades. Depois de uma queda de braço entre Fifa e prefeitura, ficou decidido que, sim, haverá espaço para Fan Fest na cidade – o local de confraternização e algazarra dos torcedores será o Cais da Alfândega.

Mesmo se você não for à Arena Pernambuco (visitas guiadas a R$ 20 por pessoa), situada em São Lourenço da Mata, na região metropolitana, sempre haverá uma, duas, três razões para curtir a capital do manguetown, do caos, dos canais e das paixões que vêm de dentro.


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O Recife Antigo, parte renovado, parte enfiado na lama, reúne atrações para um dia inteirinho, sem desperdício de tempo nem de dinheiro. Preparamos sugestões para três dias de estada, dois deles dedicados exclusivamente à capital e o outro para você decidir entre as tintas e cores do imaginário de Olinda e as alegrias tamanho família da concorrida Porto de Galinhas.

Um toque a mais de manteiga de garrafa nessa história: o período da Copa coincide com os festejos e arraias em louvor aos santos de junho. Fique de olho na programação no site da prefeitura.

Quem ainda não garantiu um cantinho na cidade terá trabalho. De acordo com levantamento do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), que reúne 26 das principais redes de hospedagem no País, 84% dos quartos já estão reservados. Ainda dá, contudo, para buscar opções de teto no Airbnb.com.br. Ou tentar a sorte nos meios alternativos cadastrados pelo Ministério do Turismo e reunidos em hospitalidade.turismo.gov.br.

DIA 1: Expressão cultural arraigada na veia
Do frevo ao maracatu, do baião ao manguebeat. Pernambuco é terra de cultura autêntica e arraigada e tem na capital, Recife, seu maior polo irradiador. Comece, portanto, apostando em um roteiro histórico e cultural a partir do Marco Zero, ponto de referência na cidade. A região enfileira atrativos como o Memorial Chico Science e o dedicado a Luiz Gonzaga, ambos no harmonioso Pátio de São Pedro. Outro espaço novinho em homenagem ao compositor de Asa Branca é o Museu Cais do Sertão, no antigo Armazém 10 do Porto do Recife.

Ali pertinho, a Rua do Bom Jesus abriga a Embaixada dos Bonecos Gigantes, endereço para curtir os ícones do carnaval da vizinha Olinda. Ainda na região, há o Centro de Artesanato de Pernambuco, com ampla oferta de arte popular regional.

Aproveite o embalo e confira também a Casa da Cultura, antigo presídio transformado em reduto dos artesãos. Há bons bares e restaurantes na Rua da Moeda. Se preferir, siga pela cenográfica Rua da Aurora, à beira do Rio Capibaribe, até alcançar o Bar Central (Rua Mamede Simões, 144; 81-3222- 7622), ideal para celebrar o seu primeiro happy hour na cidade.

DIA 2: Canais de arte
Que tal começar na orla de Boa Viagem? A pedida é estender a canga e tomar um banho de mar – com a devida precaução de respeitar a barreira natural que dá nome à cidade e evita o assédio dos tubarões. Aproveite para fazê-lo pela manhã já que à tarde a sombra dos edifícios encobre a praia.

Depois, reserve um par de horas para esticar até o bairro da Várzea, onde estão o Instituto Ricardo Brennand e a Oficina de Cerâmica Francisco Brennand, com belas obras e um inspirado espaço verde idealizado por Burle Marx.

Para desfrutar dos rios e pontes da cidade, faça um passeio de barco pelos canais por a partir de R$ 40 por pessoa – consulte horários e opções com a Catamaran Tours. Outro ponto de convergência de quem aprecia a vida ao ar livre, o Parque Dona Lindu oferece pistas para caminhadas, quadras e brinquedos infantis – em junho a festa junina é garantida ali.

Reserve a noite para fartar-se com a culinária nordestina do Entre Amigos, com dois endereços na cidade.

DIA 3: Ladeiras x piscinas
A escolha será inevitável. De um lado, a beleza colonial empinada nas ladeiras históricas de Olinda. De outro, as piscinas naturais e as águas cristalinas de Porto de Galinhas. Sim, será preciso escolher entre um e outro se você tiver apenas mais um dia para curtir.

Quem for até Olinda, a dez quilômetros do centro do Recife, terá tempo para testar as pernas na subida da Ladeira da Misericórdia até o Alto da Sé, onde a vista se abre para o lindo conjunto de igrejas cercadas de coqueirais com o Atlântico e, em dias claros, alcança a capital pernambucana.

Ali mesmo prove uma tapioca feita na hora e se refresque à base de água de coco. Você poderá visitar templos como a Basílica de São Pedro e o Convento de São Francisco e perder-se entre as incontáveis lojinhas e centros de artesanato da cidadela. Dá impressão de que, se a criatividade tivesse endereço fixo, certamente moraria ali.

O clássico Oficina do Sabor, na Rua do Amparo, explora como poucos as combinações regionais. Outra pedida farta e deliciosa é a Casa de Noca (casadenoca.com), na Rua Bertioga, 243, uma das ladeiras que conectam o Alto da Sé.

Mas, se o apelo for pela dobradinha sol e praia, não titubeie em tomar a direção oposta e rumar a Porto de Galinhas, a cerca de 80 quilômetros do Recife. Ali estão as piscinas naturais mais famosas do Brasil e, claro, uma vasta oferta de lazer capaz de agradar até o mais urbano dos turistas.

 

Assista ao vídeo sobre Recife e região: 
http://tv.estadao.com.br/videos,RECIFE-NA-COPA,234329,250,0.htm

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