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Da revolução à arte nos museus de Havana

Mônica Nóbrega

24 Março 2009 | 18h29

Havana, toda ela um museu a céu aberto, tem notável prazer em contar sua  história. Narrativa que ganha alguns toques de ficção, remendos não  exatamente sutis para adequar o passado às conveniências dos burocratas da  vez. A dica é nunca confiar em tudo o que vê, lê e ouve nos 61 museus da  capital cubana. Mas não deixe de visitá-los. Há acervos sobre assuntos  variadíssimos e muito a aprender. 

REVOLUÇÃO
O Museu da Revolução exalta sem pudores os irmãos Castro e o herói nacional Che Guevara. Isto posto, garante horas divertidas e instrutivas se você  deixar de lado a preocupação com coisas como linha do tempo da Revolução  Cubana – falta uma boa curadoria para organizar a coleção – e concentrar a  atenção em curiosidades e detalhes. Há um belo acervo fotográfico, pouco  divulgado, com instantâneos de mulheres revolucionárias. O prédio do museu  foi residência oficial de presidentes cubanos até o ditador Fulgêncio  Batista (1901- 1973) ser deposto por Fidel. De arquitetura colonial  espanhola, tem em seu interior um ambiente tão rococó quanto ninguém  esperaria encontrar em Cuba, uma sala dos espelhos inspirada no Palácio de  Versalhes. No anexo, o Memorial Granma exibe armamento militar pesado, como  tanques e helicópteros.

REAL FUERZA
O Castillo de la Real Fuerza é a fortaleza mais antiga do país. Foi erguido  no século 16 como armazém dos tesouros que as colônias centro e  sul-americanas eram obrigadas a pagar em impostos à metrópole espanhola.  Fica bem diante da Baía de Havana, na Plaza de Armas, em Havana Velha. O bem  conservado castelo é cercado por fossos e grades. Nas salas há exemplares  originais de moedas que circulavam na Cuba colonial e placas enormes de  prata e ouro. Várias peças foram encontradas no fundo do mar a partir de  1980 e pertenciam a embarcações que naufragaram. O telhado é o local para  uma foto panorâmica da baía. A entrada é grátis, mas os atenciosos guias  esperam uma gratificação no fim da visita. Em geral, 1 ou 2 pesos  conversíveis são suficientes. 

PINTURA MURAL
O mesmo esquema de gratificar o guia vale para o Museu da Pintura Mural (Calle Obispo, s/n.º), na  casa do século 16 que, dizem, é a mais antiga da cidade ainda de pé. As  paredes foram descascadas para expor afrescos de séculos passados e há  também fragmentos de paredes de outras residências, além de fotos. As  varandas superiores ao redor do átrio central formam um dos lugares mais  poéticos de Havana. 


RUM
O acervo do Museu do Rum, mantido pela Fundação Havana Club, descreve o  processo de produção da bebida nacional e mostra a importância do açúcar na  economia cubana. No mesmo prédio, erguido no século 18, ficam galeria de  arte, loja e um bar-restaurante para encerrar o passeio, quem sabe, com um  mojito bem gelado.