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Em busca de indícios do grande viajante

Tania Valeria Gomes

21 Maio 2009 | 16h27

Aparentemente ainda em Sidi Bou Said, na Tunisia (não há nada, em sua mensagem, que indique mudança de localização), nosso intrépido viajante continua abrindo sua caixa postal e respondendo às questões de seus leitores.
A propósito de sua última coluna, na qual se refere às viagens dos parlamentares brasileiros, mr. Miles informa que achou especialmente espirituoso o email de Lúcio Tavares, de Belo Horizonte, segundo a qual ” a única diferença entre um político e um ladrão é que o político a gente escolhe enquanto o ladrão escolhe a gente”. Tavares, aliás, confessa que a ilação não é de sua autoria e supõe que, pelo brilho, deva ser da lavra de Millôr Fernandes.

Prezado Mr. Miles: sou uma fã de suas viagens e ficaria muito feliz de, um dia, hospedar-me em um de seus hotéis preferidos. Existe algum que guarde registro de suas passagens?
Ivonete Mendes Lima, por email

Well, my dear, agradeço a gentileza de sua admiração e espero continuar a merecê-la. Como você sabe, however, tenho por hábito jamais citar hotéis, pousadas e outros refúgios, exceto quando eles são protagonistas de alguma das histórias que tenho para contar. Não o faço por egoismo ou para preservar minha privacidade. Isto seria disgusting. O fato é que grande parte dos que se consultam comigo fazem-no em busca de recomendações pontuais. “Mr. Miles: dê-me uma dica sobre uma pousada bem localizada na praia do Espelho ou Mr. Miles: estou indo para Capri e gostaria muito de uma indicação de hospedagem” são mensagens recorrentes às quais não posso responder. Let me explain why not: o objetivo destas linhas é inspirar e motivar viajantes renitentes, com a intenção de que troquem suas prioridades materiais (um carro novo, uma televisão de plasma e todas essas gadgets irrelevantes) pelo valor intransferível e imorredouro que é conhecer as gentes, os hábitos e as esplêndidas atrações desse planeta que nos pertence.
Tento fazê-lo através de minha vivência, com o humor possível e, of course, jamais escondendo o encantamento de minhas descobertas and the funny side of my mistakes.
Não sou, therefore, um consultor de endereços. Besides, com a oferta crescente de hospedagem, considero qualquer indicação desse tipo leviana. Acho que para ter alguma chance de não frustrar a expectativa do consulente, é preciso conhecê-lo profundamente. Ou, por outra: para escolher aonde ficar em suas férias, talvez seja melhor perguntar ao seu analista do que a um estranho — o que, by the way, não é o meu caso, já que há anos sinto-me próximo de meus leitores.
Last, but not least, espero que você, my dear Ivonete, compreenda meus pruridos éticos. Tenho, as you know, amigos e afilhados em quase todos os estabelecimentos que frequento. Mencionar um deles significa magoar os demais — e essa é uma atitude que não faz parte de meus princípios.
Quanto a lugares que guardem indícios de minha passagem (físicos, I presume), sim, existem muitos. Alguns têm bowler hats que deixei, outros guardam garrafas de whisky para quando eu voltar, e há os que, generosamente, emolduraram alguns manuscritos que produzi durante a estadia. Para descobrir quais são esses estabelecimentos, meu conselho de sempre, darling: viaje. Viaje muito e boa sorte!