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Em Cuba, fique atento às abordagens criativas

Mônica Nóbrega

24 Março 2009 | 18h18

A máquina fotográfica apontada para o Capitólio é a senha. Certo de ter  encontrado uma turista, o homem de 20 e poucos anos se aproxima, faz  perguntas básicas (procedência, tempo em Havana, se está gostando da cidade)  e mostra o panfleto amarrotado de um festival. “De salsa”, diz. “Se precisar  de companhia, são só 5 convertibles (R$ 12).” Diante da negativa, pede “uma  ajuda, chocolate, um presente para meus filhos.” 
A escassez de tudo, inclusive comida e produtos de higiene, e os salários  baixíssimos fizeram dos cubanos um povo cheio de jeitinhos. As ruas não são  violentas, mas pequenos golpes se multiplicam numa infinita criatividade de  abordagens. O casal que convida para uma festa aproveita para oferecer  charutos Cohiba por 50 pesos conversíveis (R$ 124) a caixa – produto que  custa, no aeroporto, a partir de 15 pesos conversíveis (R$ 37). Um par de  tênis All Star nos pés do visitante é pretexto suficiente para aproximação  do flanelinha, que logo passa a se oferecer como guia turístico. 
Mesmo os shows de músicos populares em troca de centavos, comuns pelas ruas  do mundo todo, têm sua versão turbinada em Cuba. Nas casas de cultura,  trovadores apresentam números belíssimos sem cobrar nada. Para, em seguida,  oferecer o CD por até 20 pesos conversíveis (R$ 49). Sem graça, você compra.  Também como em outros lugares pobres, solteiros são abordados por homens e  mulheres dispostos a vender a própria companhia. Em Cuba, esses  profissionais são chamados de jineteros. “Me convida?”, é a aproximação  padrão. 
Não é raro que os moradores tentem obter dos estrangeiros produtos escassos  nas prateleiras locais. As mulheres, principalmente, pedem doações de  camisetas e sabonetes. Difícil negar. Muitos turistas se habituam a andar  pelas ruas cubanas com a mochila cheia desses objetos.


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