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Em domingo de eleição, uma La Paz diferente

Adriana Moreira

08 Dezembro 2009 | 13h24

Em viagem à Bolívia, a repórter Adriana Moreira aproveitou para conferir o clima da capital, La Paz, durante a votação de domingo. E viveu um dia de cidadã paceña:

“Quando me disseram eu não quis acreditar. Como assim, não há vôos indo ou saindo da Bolívia no dia das eleições? Nem transporte público? A idéia de ficar em La Paz no domingo no qual o país definiria se Evo Morales seria reeleito presidente, além de escolher deputados e senadores, parecia um pouco claustrofóbica.

O chamado Auto de Bom Governo, que entra em vigor em dia de eleições, proíbe também o consumo e a venda de álcool, além de festas e baladas por 48 horas antes  do pleito. Não é de se estranhar, portanto, que os vôos de sábado lotaram. Uma fuga turística em massa, temerosa de que passaria um dia na cidade sede do governo boliviano sem ter muito o que fazer. Mas a verdade é que quem se arriscou em ficar em La Paz se deu muito bem. Foi uma oportunidade única de tirar fotos da cidade sem o trânsito intenso, de conseguir observar as belezas do centro histórico escondidas pelos camelôs, de experimentar um dia como um cidadão paceño sob um domingo ensolarado.

Coisa rara, aliás, nessa época do ano. O verão na cidade costuma ser chuvoso, cinza. Mas o dia permaneceu praticamente sem nuvens até o fim da tarde. O Prado, a principal avenida, cujo trânsito nunca cessa, ficou livre para quem quisesse andar de bicicleta ou levar o cachorro para passear. A bela igreja de São Francisco, construída em 1549, pôde mostrar todos os seus detalhes sem barraquinhas e tradicional multidão que se concentra em seu pátio.


Quem se arriscou a sair do roteiro turístico tradicional e desceu um pouco mais até o bairro do Sopocachi, onde se concentram os restaurantes e baladas da moda, pôde descobrir que, em frente aos locais de votação, é de praxe haver barracas de ceviche e parrilla. Depois de fazer seu papel de cidadão, os moradores aproveitam para matar a fome nas barraquinhas.

Afinal, é difícil encontrar um bom restaurante com as portas abertas em dia de eleição. Predominam casas pequenas e algumas salteñarias, onde se pode provar, como o nome sugere, as tradicionais salteñas. E aí entra uma curiosidade: as tais empanadas foram assim batizadas porque eram feitas por imigrantes de Salta, na Argentina. Os bolivianos costumam comer o salgado pela manhã e aconselham a nunca pedir uma pela tarde, por não estarem tão fresquinhas.

Portanto, fica a dica. Nas próximas eleições no país (em 2010 os bolivianos voltam às urnas para escolher governador), ficar em La Paz pode ser uma boa ideia.”