Entre um jogo e outro
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Entre um jogo e outro

Felipe Mortara

31 Dezembro 2013 | 05h08

Reformado, mas sempre familiar. Torcida chega ao novo Maracanã. Foto Wilton Junior/Estadão

Cada uma das 32 seleções que virão ao Brasil entre 12 de junho e 13 de julho para a Copa do Mundo de futebol vai visitar um mínimo de três cidades no País. A depender do acaso e do intrincado esquema de definição de adversários e localizações das partidas da segunda fase, os times que se saírem bem no torneio podem chegar a visitar sete das 12 capitais de Estados escolhidas como sedes da competição.

Já para os turistas, o número de cidades a visitar depende da disposição – e de orçamento, claro. A pouco mais de cinco meses do início da Copa e com a segunda fase da venda de ingressos em curso até 30 de janeiro, é hora de se planejar. E escolher, além das partidas a assistir, os atrativos para ver antes e depois do futebol nos estádios.

Para ajudar a montar roteiros pelas cidades-sede da Copa, fomos procurar seus moradores ilustres. Filhos da terra, de nascimento ou por adoção, eles sugerem aqui tanto atrações básicas, aquelas que não dá mesmo para perder, quanto cantinhos menos óbvios, mas que falam muito sobre a cidade em questão. Prepare o caderninho de notas.


 

Banhistas aproveitam o forte sol e calor, nas areias da praia de Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro. Foto: Marcos de Paulo/Estadão

RIO DE JANEIRO

Bons achados de Sérgio Bloch, autor de guias gastronômicos

Cristo, Pão de Açúcar, Santa Teresa: você não precisa da nossa ajuda para saber quais são os roteiros clássicos do Rio. Mas, se você estiver em busca de um programa diferente, o jornalista Sérgio Bloch, autor do Guia Carioca de Gastronomia de Rua (1 e 2) e do Guia Gastronômico das Favelas do Rio dá o caminho das pedras.

Em qualquer lugar do mundo, segunda-feira costuma ser um dia com cara de ressaca de fim de semana, sem muitos atrativos. Mas Sérgio Bloch indica um programa bacana, essencialmente carioca para o fim de tarde: o samba da Pedra do Sal, na Gamboa. “O samba é de graça, é só chegar”, diz. Para aguentar o batuque sem perder a energia, peça um dos caldos ou o angu à baiana da Lucinha, que fica na mesma rua. “Ela é bem conhecida, está há anos ali. Com menos de R$ 10 você come pra caramba.”

Morro acima. Não é de hoje que subir o morro virou programa turístico. Bloch indica o Morro Santa Marta, onde foi instalada a primeira Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), em 2008. Todo primeiro sábado do mês é realizado o Pôr do Santa, uma roda de samba gratuita numa área conhecida como Laje do Michael Jackson, por volta das 16 horas. Isso porque o local foi um dos pontos visitados pelo cantor para a gravação do clipe They Don’t Care About Us, em 1996 – no local, há até uma estátua e um painel assinado por Romero Britto em homenagem ao rei do pop.

Dali, se tem uma vista espetacular do Rio. E, para subir, é preciso tomar o bondinho, que transporta cerca de 2 mil pessoas por dia e sai da Rua São Clemente, em Botafogo. São cinco estações e 10 minutos até alcançar o topo. “Vai muito gringo, mas é uma experiência autêntica.”

Churrasco na areia. Ok, sabemos que se você for ao Rio não vai resistir em emendar uma praia. Indicar o Posto 9 em Ipanema é muito óbvio para você? Pois Sérgio Bloch dá uma dica extra para “alimentar” seu programa: o choripán do Uruguaio. “É um churrasco no pão, divino”, explica Sérgio. “O Uruguaio está ali há 30 anos, todo mundo o conhece e tem uma tremenda história de vida. Fugiu da ditadura e criou a família vendendo esse sanduíche.” Como aos domingos a orla fica fechada para os carros, você pode aproveitar para alugar uma bicicleta e seguir para o MAM, no Aterro do Flamengo. Um passeio tranquilo, de 10 quilômetros. “Há muitos bons quiosques de comida nas imediações. E dá para entrar no MAM, que sempre tem coisa boa.” / ADRIANA MOREIRA

Crianças testando tudo no Museu do Futebol, no Estádio do Pacaembu. Foto: Marcio Fernandes/Estadão

SÃO PAULO

Olhar apurado de Camila Hessel, editora do caderno ‘Divirta-se’

O Museu de Futebol foi uma das primeiras coisas que a editora do caderno ‘Divirta-se’ do Estadão, Camila Hessel, sugeriu em suas opções de roteiro. Afinal, como deixá-lo de fora em plena Copa do Mundo? O Estádio do Pacaembu não vai receber nenhum jogo no Mundial, mas nem por isso deve ser esquecido – o Museu do Futebol fica debaixo de suas arquibancadas (R$ 6, grátis às quintas-feiras).

“O charme está principalmente nas atrações interativas (foto)”, diz Camila. Nas palavras dela: passe com calma pela sala que conta as histórias de Pelé e Garrincha, com grandes jogadas dos dois craques. Depois, capriche no chute ao cobrar o pênalti no simulador. Para terminar (ou começar, como queira), a dica é um programa tipicamente paulistano: a feira livre armada no estacionamento do estádio às terças, quintas e sábados, das 9 às 14 horas. Ali, pastel e caldo de cana para matar a fome.

Rock and happy. Outra dica é curtir a Galeria do Rock (Avenida São João, 439), que completou 50 anos em 2013. “Um passeio por lá é diversão garantida para fãs de rock – e de música em geral – de todas as idades”, explica Camila. “Prepare-se para sair de lá com sacolas cheias de camisetas, tênis e acessórios e com o celular lotado de fotos – o prédio é lindo!”. De lá, você tem duas opções, ambas para um happy hour num cartão-postal. Se seguir à esquerda, vai dar na Avenida Ipiranga. A famosa esquina com a Avenida São João abriga o Bar Brahma (número 667). “Mas recomendo seguir adiante, até o nº 200: ali fica o edifício Copan, projetado por Oscar Niemeyer, que abriga o sensacional Bar da Dona Onça – meu favorito.”

Liberdade. A terceira dica se trata do bairro da Liberdade, onde predomina a colônia japonesa. Suas lojas e galerias estão cheias de produtos orientais, de louças e utensílios de cozinha a gibis e brinquedos. Nos fins de semana, uma deliciosa feirinha de comidas é armada na saída do metrô. “Vá com fome e não deixe de experimentar o takoyaki, bolinho de polvo super macio.” / A.M.

Mercado Central, parada obrigatória na capital mineira. Foto: Rusty Marcellini/Estadão

BELO HORIZONTE

Com os sabores de Maria Eulália e Eduardo Maya – Criadores do Comida di Buteco

Maria Eulália e Eduardo Maya formam a dobradinha responsável pelo evento gastronômico Comida di Buteco. “Atrações que encantam em BH é o que não faltam. A cidade é um convite à contemplação de paisagem e sabores. As opções são muitas, como tomar um expresso no Café do Espaço Cultural CentoeQuatro, na Praça da Estação. Lugar lindo entre pontos dignos de nota, como o Museu de Artes e Ofícios e a Funarte”, diz ela.

Mineirices. “Visita obrigatória para quem vai a Belo Horizonte é o Mercado Central (foto), um caleidoscópio da cultura de raiz mineira que reúne a alma do Estado num quarteirão de sabores e experiências sensoriais ímpares”, diz Eulália. “Não há como não comer um fígado com jiló no Bar da Lora e comprar queijos mineiros”, sugere Maya.

Renovado. “Uma das grandes atrações da capital mineira, sem dúvida, é o Cine Brasil (Rua dos Carijós, 258). Reaberto há pouco tempo, proporciona a oportunidade de curtir um bom filme e de se deliciar com as criações do chef Gabriel Trillo, um dos mais talentosos da nova geração, no restaurante local. E, se você disser que está indo por indicação do Eduardo Maya, come ainda melhor!”, garante. “Quem vem a BH tem por obrigação visitar os botecos. Não se pode sair daqui sem tomar uma cerveja e comer um torresmo de barriga”, diz. “Experimentar o Kaol (prato criado no Café Palhares) é viver Belo Horizonte na veia”, recomenda Eulália. / FÁBIO VENDRAME