Espetáculos no palco e, agora, à mesa em Londres
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Espetáculos no palco e, agora, à mesa em Londres

Fabio Vendrame

11 Março 2014 | 02h30

Mark Bittman / LONDRES
THE NEW YORK TIMES

Jantar num restaurante famoso leva tempo, e o tempo é precioso, tanto antes quanto depois do teatro. Ou as pessoas jantam cedo e apressadamente para chegar antes do início do espetáculo, ou esperam até altas horas. Em ambos os casos, será improvável uma comilança de duas horas de duração. Mas em Londres, pelo menos, isso não acontece mais. Nos últimos dez anos, foram inaugurados restaurantes bem interessantes no coração do West End, ou a poucas quadras dali. São ótimas casas e isso as torna bastante procuradas por quem não está disposto a desistir de um bom jantar para não perder a peça em cartaz. A maioria dos restaurantes é extraordinariamente popular, e o horário nobre é antes do teatro. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Fotos: Luke Tchalenko/NYT

AMBICIOSO: Ao estilo de Gordon Ramsay
O Social Eating House de Jason Atherton é o mais ambicioso da lista, o que não chega a surpreender. Discípulo de Gordon Ramsay, o chef está também à frente do Pollen Street Social, um restaurante de Mayfair que combina elegância e refeições espetacularmente satisfatórias como poucos conseguem. É interessante, inusitado e agradável, talvez melhor para antes que deois do espetáculo, porque a comida, nem um pouco preciosista, intensa e complexa, é tão deliciosa que é difícil sair de lá em menos de duas horas. O serviço é rápido e a atmosfera, descontraída, quase de boate. Jantar para dois sem bebidas, cerca de 70 libras (R$ 271).


GASTROPUB: Vinho e comida francesa
Inaugurado há cerca de um ano, o Green Man & French Horn é o que podemos chamar de gastropub. Comida rústica francesa servida com vinhos bons e relativamente baratos: rabanetes com ovas de bacalhau defumadas, escargots, raiz de salsinha e cogumelos; crepe de trigo mourisco com queijo e presunto. Tem um preço fixo do meio-dia até as 19 horas: um prato, 10 libras (R$ 38); taça de vinho, 4 libras (R$ 15).

AUTÊNTICO: Caro, mas honesto
A Brasserie Chavot tem uma estrela Michelin, mas isso não deve incomodar o cliente. O serviço é lento, mas inofensivo e pode ser acelerado; o salão dá uma impressão geral de abundância. O chef é Eric Chavot, que decidiu manter um estilo comedidamente clássico e preparar comida francesa bastante familiar, excelente e que explora um paladar simples. Para dois, sem bebida, desde 65 libras (R$ 251).

LUXUOSO: Mais bonito que inspirado
The Delaunay é um super salão, luxuoso, aberto, extraordinariamente bem projetado. Fica na Alwych, o que significa que cerca de metade dos ônibus de Londres param à sua porta. Ótimo serviço, também; a impressão é que o local é gerido de maneira muito inteligente. O problema é justamente que isso não se reflete em benefício para o cliente, e com certeza nem para a comida, que parece quase a preocupação menor do estabelecimento. A promessa do menu, que faz uma curiosa opção pela Europa central, não é cumprida quando chega à mesa. Há torradas com queijo fundido, cachorro quente, carne em conserva sobre pretzel, pierogi (um tipo de ravióli recheado), todos servidos com muita propriedade e de maneira elegante, mas nenhum muito inspirador. Já as sobremesas são maravilhosas. Jantar para dois, sem bebida, vai de 40 a 65 libras (R$ 155 a R$ 251). Há couvert de 2 libras (R$ 7,75).