Experiência africana com grau máximo de luxo
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Experiência africana com grau máximo de luxo

Mônica Nóbrega

11 Março 2014 | 18h20

Mônica Nobrega / JOHANNESBURGO

Na decoração, ânforas da altura de uma pessoa, peles de zebra, cabeças de antílope estilizadas, esculturinhas de madeira de mulheres e homens primitivos. E ainda sofás-abraço, almofadas ultracoloridas e cadeiras de espaldar alto o suficiente para fazer pensar em um trono, uma poltrona da realeza. Tudo banhado por uma iluminação amarelada e confortável – ou pela brilhante luz do dia – e imerso em uma atmosfera de tanta calmaria e exclusividade que o hóspede esquece que está na movimentada e a seu modo caótica Johannesburgo.

Pele de zebra na decoração. Fotos Mônica Nobrega/Estadão

O aspecto mais agradável da experiência de hospedagem no Hotel Saxon – uma das mais luxuosas que já experimentei – é seu jeitão autêntico. É tudo decididamente chique, mas nada pasteurizado. O lugar não é um arranha-céu, não tem piso de mármore nem lobby espelhado. Trata-se de um casarão, praticamente uma fazenda urbana encravada no subúrbio de Sandhurst, entre mansões que não podem ser vistas da rua por causa da altura dos muros e alamedas arborizadas pelas quais ninguém anda a pé.


O lugar é famoso por ter sido lar temporário de Nelson Mandela ao longo de seis meses, assim que o ex-presidente sul-africano saiu da prisão. Foi lá que ele escreveu sua autobiografia Longa Caminhada Até a Liberdade. Há fotos pelas paredes que lembram o período.

Foto de Nelson Mandela mostra o ex-presidente em uma das mesas do Saxon

Pelos corredores e no entorno das piscinas – a principal, com bar, mostra um pôr do sol bastante convincente, que você pode assistir acomodado em espreguiçadeiras – ninguém fala alto. Os hóspedes mais vips ficam em vilas de até 190 metros quadrados e dois andares (33.800 rands ou R$ 5.154). E chegam a elas por passarelas de madeira suspensas e envidraçadas que, à noite, iluminadas por mangueiras de luz, criam um bonito efeito no terreno.

Piscina principal, bom lugar para ver o pôr do sol

Meu quarto, um luxury teoricamente mais simplesinho, era digno de princesa (6.800 rands ou R$ 1.473). Somava 80 metros quadrados decorados com madeira e mármores discretos, banheiro integrado e cama com dossel. Todas as funções automatizadas, da TV à iluminação e ao ar-condicionado, eram comandáveis por controles remotos posicionados nas mesas de cabeceira, na mesa de escritório, ao lado da banheira. E tinha ainda uma varandinha que dava para o matagal.

Minha varandinha de frente para o matagal

Só uma falha reduziu um pouco o encanto do meu castelo: o café da manhã, que pedi no quarto, não chegou no horário combinado nem na meia hora seguinte. Fui em jejum para o aeroporto.

Carne de caça. Comida é outro aspecto em que o Hotel Saxon se mantém autenticamente sul-africano. Meu memorável jantar foi uma sequência de três pratos no Qunu Grill, cuja especialidade são as carnes de caça da África do Sul preparadas pelo chef David Higgs.

Salada de kudu, os pedaços mais escuros entre as beterrabas

Para começar, uma salada de kudu (ou oryx, um antílope) defumado, acompanhada de beterraba e pesto de abacate. A carne, escura, tem sabor intenso. Em seguida, medalhões de springbok, um tipo de cabra com carne bem vermelha e macia, acompanhavam nhoques. A sobremesa foi muffin com sorvete e frutas, a parte mais convencional da refeição.

Tenros e vermelhinhos medalhões de springbok