Fallas, fogos e festa
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Fallas, fogos e festa

Bruna Tiussu

11 Março 2010 | 16h04

A partir de segunda-feira, Valência se transformará. Sua festa mais tradicional e popular, as Fallas, vai começar oficialmente, deixando mais alegre e emocionante o clima da cidade espanhola. Como acontece no Rio durante o Carnaval.

Os primeiros sinais da celebração surgem logo no início de março. Como se anunciassem a proximidade da festa, uma queima de fogos batizada de Mascletà ocorre diariamente, sempre no mesmo horário, na Plaza del Ayuntamiento. Ouve-se uma sinfonia de ruídos categoricamente organizados, vê-se fogos coloridos estourando no céu e sente-se o característico cheiro de pólvora.

100 quilos de ontem foram usados na Mascletà de ontem FOTO: Juan Carlos Cárdenas/EFE

100 quilos de pólvora foram usados na Mascletà de ontem FOTO: Juan Carlos Cárdenas/EFE

Sim, característico já que se trata de Valência. A produção da pólvora começou artesanalmente e hoje é uma das mais importantes indústrias dali. Não é a toa que cada Mascletà de março é assinada por um pirotécnico diferente, super aclamado pelo público local.


No dia 16, os fogos de artifício passam a dividir as atenções com outra grande atração da festa, os bonecos gigantes – também chamado de fallas. Feitos de papel machê, quase sempre carregados de um teor crítico e irônico, se aproximando das caricaturas. São verdadeiros monumentos (quase 700), podendo medir até 25 metros de altura, que enfeitam as ruas até o fim da semana.

Fallas perfeitas, feitos de papel machê, são destaques da festa FOTO: Bruna Tiussu/AE

Fallas perfeitas, feitas de papel machê, são os destaques da festa FOTO: Bruna Tiussu/AE

Moradores e turistas compartilham o clima festivo e participam do mesmo ritual: percorrer as ruas da cidade admirando cada uma das fallas e apostando qual será a grande premiada do ano (há votações e prêmios diversos dados pela própria Prefeitura).

No meio do caminho, é comum se deparar com desfiles, ruas ainda mais enfeitadas, oferendas de flores à Virgem Maria, feirinhas, bandas cantando músicas típicas e, para aguçar o apetite, o odor dos tradicionais buñuelos, bolinhos de abóbora fritos.

Iluminação especial decora rua do centro da cidade FOTO: Bruna Tiussu/AE

Rua do centro da cidade é decorada com iluminação especial FOTO: Bruna Tiussu/AE

Pode parecer desperdício, ou até mesmo um pouco trágico, mas é a Crema – a queima dos bonecos gigantes – que marca o fim da festa, no dia 19. Numa mistura de sacrifício e exaltação, o fogo põe abaixo as fallas, uma a uma, até chegar na da Plaza del Ayuntamiento.

O céu da cidade fica todo preto – também o rosto daqueles que querem ver tudo bem de perto -, fuligens vão caindo seguidamente até restar apenas uma pequena labareda no chão, como uma fogueira que perde suas forças.  Para os valencianos, é a representação da renovação do espírito.

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