Festa sob o céu estrelado nas areias do Saara
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Festa sob o céu estrelado nas areias do Saara

Adriana Moreira

03 Dezembro 2013 | 00h40

Rumo ao Saara – Foto: Isadora Peron/Estadão

OUARZAZATE
Amanhecia quando deixamos para trás a cidade de Ouarzazate, ponto de transição entre as montanhas da Cordilheira do Atlas e o Saara, nosso destino final. Havia chegado a hora. Passar a noite no deserto era o momento mais esperado da viagem.

A emoção começaria antes mesmo de avistar o primeiro grão de areia, em Erfoud. Foi lá que subimos nos jipes rumo às dunas de Merzouga, no melhor estilo Rally Dakar (em edições passadas, os competidores passavam por aqui).

Ao longo do caminho, passamos por vilas berberes. Nosso motorista, um jovem chamado Mubarack, apontou para uma casa, no último povoado antes de alcançarmos as dunas de areia: “Minha família mora ali”. Daquele ponto, era possível avistar a fronteira com a Argélia.


Para evitar o calor escaldante, optamos por chegar no fim da tarde e, de quebra, assistir ao pôr do sol. Quando trocamos o solo pedregoso pelas areias do deserto foi preciso mudar também o meio de transporte. Estava na hora de subir num dromedário, bichinho simpático que, por ignorância, chamei de camelo durante boa parte da viagem. (Anote aí: os camelos são encontrados na Ásia Central e têm duas corcovas; já os dromedários possuem apenas uma e estão espalhados pela África e por parte do continente asiático.)

Montar num dromedário é quase tão radical quanto sacolejar num 4×4. O segredo é segurar firme para não cair, pois o bicho tem um gingado próprio para levantar. Depois, acomodado lá no alto, é só curtir o passeio.

No fim da tarde, a areia fica ainda mais laranja e parece formar um degradê com o azul do céu. São momentos de rara beleza. Difícil traduzi-los em palavras. O silêncio completa o cenário. É hora de respirar fundo e agradecer por estar ali.

Já estava escuro quando chegamos ao acampamento, onde passaríamos a noite. Com o espírito preparado para enfrentar um perrengue no deserto, em que a recompensa seria o céu estrelado, fomos surpreendidos com tendas confortáveis, cada uma com banheiro próprio e chuveiro com água quente.

O jantar, típico marroquino, seria servido em breve. Os músicos já começavam a batucar. A festa se estenderia noite adentro, sem preocupações. Exceto uma: não perder a hora de ver o sol nascer.

Todo esse conforto tem preço. O pacote oferecido pelo grupo Xaluca (xaluca.com) custa 185 euros (R$ 578). Se for dar uma voltinha de dromedário, prepare-se para desembolsar mais uns 200 dirhams (cerca de R$ 55) de “gorjeta”. Para não ter surpresas, combine o preço antes. /I.P.

 

O QUE LEVAR:

Dinheiro – Compre euros no Brasil e troque por dirhams quando chegar ao Marrocos. A maioria dos lugares não aceita cartão, então é bom ter sempre notas trocadas

Protetor solar – Em cidades menores, você pode ter dificuldade para encontrar protetor solar. Leve na mala para não ter contratempos se a viagem incluir uma visita ao Saara

Dicionário – O árabe é a língua oficial do Marrocos, mas o francês também é bastante falado. Nos souks, é comum os vendedores enrolarem o espanhol, mas há também os que falam inglês

O QUE TRAZER:

Lenços – Há uma infinidade de modelos e cores. Compre vários e negocie: chore até chegar a 50 dirhams (R$ 14)

Peças de couro – Casacos, cintos, babuches. Você pode enjoar com o cheiro do curtume, mas não vai resistir às bolsas de couro de 200 dirhams (R$ 50)

Tapetes – Os artesanais são como obras de arte. Em média, o metro quadrado custa 4 mil dirhams (R$ 1 mil). Há lojas que enviam para o Brasil

Óleo de argan – Chamado de “ouro marroquino”, o produto é a sensação do momento em matéria de tratamentos capilares

 

SOLTE A LÍNGUA:

  • Sim: naam ou oukha
    Não:
    Obrigado: shukran
    Por favor: min fadlik
    Bom dia: sabáhal-jír
    Perdão: ismahlí
    Quando custa?: kam chhal?
    Graças a Deus: Hamdulillah