Festeje, você está em Trinidad
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Festeje, você está em Trinidad

Mônica Nóbrega

24 Março 2009 | 19h16

As ruas de pedra e as fileiras de casas pintadas em cores vivas fazem  lembrar as cidades históricas de Minas Gerais, sem as ladeiras. Carros são  proibidos de circular no centro e essa medida, felizmente, ajuda a conservar  um Patrimônio da Humanidade. Trinidad foi reconhecida como tal pela Unesco  em 1988. 

 

Casas do centro histórico são Patrimônio da Unesco. Foto Mônica Nóbrega/AE

Casas do centro histórico são Patrimônio da Unesco. Foto Mônica Nóbrega/AE

A pouco menos de seis horas de viagem de Havana, a cidade localizada no Vale  de los Ingenios vive um cotidiano pacato entre as montanhas e o mar. Repare  nas salas de estar, nas varandas e nas praças: parece que todos têm cadeiras  de balanço. Nem o vaivém de estrangeiros altera o hábito dos moradores de  sentar-se diante de uma porta ou janela para assistir ao entardecer.
 A maioria dos turistas fica hospedada nas chamadas casas particulares, de  moradores, que chegam a 300. Faz bem o visitante que aderir a esse ritmo  pacato de viver – e, acredite, sempre haverá alguém disposto a uma conversa  preguiçosa –, mas não se deve esquecer que há muito para ver. A afirmação de  que Trinidad é um museu a céu aberto soa batida, mas verdadeira. Casas  coloniais, esculturas e a graciosa Plaza Mayor, marco zero da cidade, foram  restauradas nos últimos anos. Sem falar na alta concentração de museus de  fato: Romântico, de Arquitetura, de Ciências Naturais… 
No prédio amarelo do antigo Convento de São Francisco de Assis está o Museu  Nacional da Luta Contra os Bandidos (Calle Echerri, 59). O nome é melhor que o acervo: fotos, armas e mapas dos grupos contra Fidel na Serra do Escambray. Suba à torre, um dos mirantes mais altos da cidade. 
O centro histórico de Trinidad é um grande mercado, com barracas de artesanato em várias ruas. Além disso, galerias de arte, ateliês e escolas de música estão por toda parte. 
São necessários pelo menos três dias para ver os detalhes, em uma maratona a pé que pode se tornar bem cansativa. Exausto, basta aceitar o serviço de um dos moradores que alugam seus carros como táxi e seguir para as praias, distantes seis quilômetros (a corrida custa cerca de 10 pesos conversíveis  ou R$ 25). Passe direto por La Boca, lotada e suja, e escolha estender a  canga na faixa de areia estreita e clara de Marea Aguillar. A vida boa vai  durar até 17h30, aproximadamente. Desse horário em diante, o território é  dos borrachudos. Fuja sem pensar duas vezes. 
Trinidad vira uma festa quando a noite cai. Dança-se salsa até o dia clarear em bares e centros culturais. A Casa Fischer tem shows ao vivo entre terça-feira e domingo. No Palenque de Los Congos Reales (na Calle Echerri), um jardim com mesinhas coloridas, percussionistas embalam os dançarinos. 
Em todos esses lugares há cubanos superdispostos a desempenhar o papel de professores de salsa. Tímidos também podem e devem participar da festa noturna de Trinidad. Caminhar pelas ruas com um mojito em mãos é um programa com tantos adeptos quanto as pistas de dança.


VIVA A SANTERÍA!
Tradições semelhantes às que foram trazidas ao Brasil pelos escravos negros  e formaram o candomblé são a base da religião afro-cubana, a santería. Há tantos pontos em comum que até os deuses são os mesmos lá e aqui. Iemanjá, a  representante dos mares, tem um templo em Trinidad. A Casa Templo de  Santería Yemayá (na Calle Rubén Martínez Villena, 59) é aberta a visitantes. Além dos rituais cotidianos, o local organiza um bom número de festas. Vale a pena conferir. E se divertir.