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Galápagos: Sinfonia natural sem filtro

Fabio Vendrame

22 Abril 2014 | 04h00

 

Não é preciso artifícios para chegar perto dos animais: eles não têm medo do homem e, curiosos, se aproximam. Tocar não pode, mas fotografar sim. Aproveite

Adriana Moreira / GALÁPAGOS

Aposto que em seu álbum de férias deve haver alguma foto sua rodeado de peixinhos, ávidos por mais migalhas de pão ou bolacha. Ou com um pássaro comendo em sua mão. Talvez até ao lado de um animal maior, como um macaco, uma girafa, uma lhama, sendo alimentados por você. Mas e se eu disser que existe um lugar em que é possível chegar assim tão perto dos bichos sem usar de nenhum artifício, truque ou adestramento?

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Os animais que vivem no arquipélago de Galápagos, a 1h30 de voo da costa equatoriana, não têm medo do homem. Você caminha ao lado de ninhos de atobás e precisa prestar atenção para não pisar em nenhum filhote. Procura o melhor ângulo para a foto do leão-marinho e, se descuidar, pisa em outro. Machos de fragatas exibem seu peito vermelho inflado para as fêmeas e não se incomodam com o grupo curioso de turistas ao seu redor.

Sim, é incrível – e, na verdade, muito mais do que se pode descrever, fotografar ou filmar. Nada nos prepara para a explosão de vida encontrada ali, onde a natureza segue seu curso como se nunca tivéssemos pisado naquelas terras áridas.

Da área total do arquipélago, 97% pertence ao Parque Nacional. A casa, portanto, é dos animais e, como visitantes educados que somos, não se pode levar nem uma pedrinha – ou você é daqueles que pegam um “souvenir” da estante do anfitrião? Se você argumentar dizendo “neste caso é diferente”, fica o aviso amigo: o controle de alfândega em Galápagos é bastante rigoroso e as bagagens passam pelo raio X antes e depois da viagem. Se flagrarem a sua pedrinha escondida lá no fundo do bolso, vai ter de pagar uma multa.

A maior parte dos voos chega a Baltra, uma ilhota próxima à Ilha de Santa Cruz, que serviu como base militar dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Apenas o aeroporto está ali – as pousadas se concentram principalmente em Puerto Ayora, em Santa Cruz, que tem 12 mil moradores e a melhor infraestrutura turística. Além desta, apenas outras três ilhas, das 13 principais que compõem o arquipélago, têm cidades: San Cristóbal, Floriana e Isabela.

Ao todo, 25 mil pessoas vivem nas ilhas. E, antes que você diga que quer se mudar para esse paraíso, é bom saber que os apagões são frequentes, a internet é lenta e a água, escassa – somente Floriana e San Cristóbal têm fontes naturais, mas em volume insuficiente para abastecer toda a população.

Apesar de o turismo ser a principal fonte de renda, não é ele quem dá as cartas. Navios de cruzeiro, como o que embarcamos para a expedição de 7 noites pelas ilhas, têm de seguir preceitos rigorosos em relação a ammenities, cardápio, lixo…

E os turistas também. Não tem essa de abraçar leão-marinho na foto, dar migalha para peixe, atrair pássaro para comer na mão. Não pode – mas tampouco é necessário. Acredite: seus cliques ficarão muito melhores do que se você fizesse qualquer uma dessas coisas.

MANUAL DO BOM TURISTA

  • Não seja invejoso: não sofra se alguém viu um determinado animal e você não. A natureza é imprevisível. Lide com isso
  • Não estrague a foto do colega: aproxime-se lentamente dos animais para que eles não se assustem. E lembre-se de manter a distância mínima de 2 metros (é regra)
  • Fique na trilha: nem sempre os caminhos são bem demarcados, mas se esforço

O QUE LEVAR

Kit sol: na linha do Equador, o sol não dá trégua. Protetor e chapéu são itens fundamentais
Kit trilha: sempre há uma trilha para explorar as ilhas. Tênis é suficiente (dispense botas pesadas). Leve ainda mochila pequena e cantil, para evitar o descarte de garrafas pet na ilha
Kit enjoo: se for de navio, Dramin ajuda

O QUE TRAZER

Chocolate: o Equador produz ótimos chocolates. No mercado é mais barato que no aeroporto
Souvenirs galapaguenhos: joias e bijuterias com temas de Galápagos são uma febre por lá. Para itens de ouro e prata (como brincos e anéis em forma de patas azuis dos atobás), a dica é a Galapagos Jewerly, em Puerto Ayora. Nas cidades há atobás de pelúcia, iguanas coloridas e outras fofices

SAIBA MAIS

  • Aéreo: SP – Galápagos (Baltra) – SP: desde R$ 1.797 na Tame (tame.com.ec) e R$ 3.827 na TAM (tam.com.br). Voos com conexão
  • Melhor época: dezembro a abril é tempo de surfe; de julho a novembro, as baleias dão as caras por lá. De janeiro a maio é a época das chuvas. Em setembro, há muita neblina e a operação turística fica bastante reduzida
  • Moeda: o Equador adota o dólar americano – US$ 1 equivale a R$ 2,23
  • Idioma: espanhol
  • Taxa ambiental: turistas brasileiros pagam US$ 50
  • Sites: ecuador.travelgalapagos.org

 

ONDE FICAMOS –  Silver Galápagos

Cruzeiros não são a única maneira de desbravar Galápagos. Mas passar sete noites de ilha em ilha, vendo petréis e fragatas acompanharem o navio enquanto saboreia margaritas no bar ou em sua varanda é, de fato, extremamente relaxante.O Silver Galápagos, navio de expedição da Silversea para 100 passageiros, começou as operações há menos de um ano. Alguns ajustes estão em andamento, mas nada que comprometa o serviço, com funcionários para lá de solícitos.

Como Marco, o maître, que se desdobrava para encaixar o maior número de hóspedes possível no The Grill, restaurante ao ar livre com reservas no jantar. Segundo o capitão Karin Chacon, a área será reformada para aumentar o número de lugares na hora do almoço, quando todos querem ficar na sombra.O Parque Nacional impõe várias regras para os barcos, inclusive com relação ao menu: certas frutas são vetadas, pelo risco de espalhar sementes. Mas havia uma variedade razoável de peixes, incluindo lagosta e camarão.

 

A equipe de guias, comandada por Gaby Espinoza, também se destacou. Cada um com seu estilo – Xavier fazia de cada explicação um show de stand-up; Carlos, mais quieto, mostrava paixão por cada detalhe das ilhas e Ivonne Torres, sempre sorrindo, era a tradução da alma galapaguenha.

 

Ver o pôr do sol do navio é um clássico, mas tivemos um brinde extra: o nascer da lua. De uma claridade tão intensa que fez todos se levantarem para buscar as câmeras – deu até para ver os tubarões nadando próximo ao barco (juro!). Para brasileiros, o melhor é o sistema all-inclusive: todas as bebidas (até as do frigobar) e gorjetas estão incluídas. Vale lembrar, contudo, que a comunicação no navio é em inglês – grupos maiores podem conseguir guias em português. Há saídas o ano todo (exceto setembro); desde US$ 5.450 por pessoa, em cabine dupla.

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